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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Gato gordo em pinturas clássicas, por Svetlana Petrova



A artista russa Svetlana Petrova agitou o mundo das artes quando em 2014 adicionou o seu gato, Zarathustra, a pinturas clássicas conhecidas. Um grande gato de cor gengibre-tigre foi adicionado digitalmente a pinturas que datam de há tanto tempo até ao Antigo Egito. Conseguiu, assim, ser um sucesso na Internet. 
Petrova 'colocou' Zarathustra em obras de Chagall, Da Vinci, Dali, Botticelli, entre outros, e quer adicioná-lo a muitas mais! Ela acha que o seu gato é um artista natural, que posa bem para as suas fotografias e está convencida que Zarathustra sabe que está a fazer arte. Um felino que é sempre muito amistoso para todos os fotógrafos que querem retratá-lo.


Zarathustra na pintura de Katsushika Hokusai 'Great Wave off Kanagawa' 
 

A Mona Lisa com Zarathustra 

Zarathustra o gato na pointura de Botticelli 'O Nascimento de Vénus' 


Um Zarathustra voador numa pintura de Chagall


Uma versão felina do American Gothic feat. Zarathustra o gato

Zarathustra deitado com a  Vénus deUrbino na pintura clássica de Tiziano 
(Fotografias: Svetlana Petrova/ Fatcatart)[via www.cbc.ca]

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Menos de 10% - Símeos, golfinhos, Lucy e Cinema


Dez é a percentagem que utilizamos da capacidade total do nosso cérebro. Apenas dez. Talvez seja possível utilizar um pouco mais, provavelmente com treino. Existe apenas um animal à face da Terra - aliás, e mais precisamente, no mar - que utiliza o dobro : o golfinho. As suas capacidades são diferentes das dos humanos, que utilizam os seus meros dez para pensar, falar, grandes feitos e muitos outros defeitos. 

Este mamífero marinho não a utiliza para os grandes (e)feitos que a Humanidade conseguiu, mas talvez seja por isso que não se possa culpar o golfinho pelas tantas e estúpidas guerras. Daí que o mundo esteja tão mal (ou bem) como está. Não é por causa deles que precisamos de reciclar tudo e mais alguma coisa, que o clima esteja completamente louco ou a caminhar para uma insanidade que mata milhares de pessoas e outros seres vivos - animais e não só - todos os dias. Como Humanos, queremos crer que o que fazemos todos os dias nos faz mais feliz. Mas quem nos diz que não são eles, os golfinhos, - esses outros animais que não são peixe nem totalmente carne - quem realmente é feliz? 

Isto a propósito de um dos filmes que vi o ano passado e que entrou diretamente para o meu ranking dos melhores desse ano : Lucy (2014) do visionário Luc Besson, que tem o dom de me maravilhar, primeiro, com os seus filmes, e depois me fazer refletir sobre eles e os assuntos que levanta através deles. Para mim, isto é bom cinema, mesmo que o faça com uma pitada - ou doses avantajadas - de ficção científica, que nunca se consegue saber se é assim tão ficção ou se deixa muito a desejar à ciência. Não importa. Neste filme, em que Luc mistura um pouco de Matrix com Star Wars, ou até Kill Bill, mais uma vez ele coloca a protagonista que dá nome ao filme, desta vez sozinha, sem um Bruce Willis que a ajude na vingança que procura (relembro a Mila Jovovich de O Quinto elemento). Vingar-se do quê?

A trama começa quando Lucy  - que também foi o nome que deram à primeira primata da História - é colocada numa situação de tráfico de CPh4, uma substância que cria micro explosões no cérebro e alucinadamente aumenta a capacidade mental de quem a consome. Depois de ser obrigada a colaborar com um poderoso e misterioso gang asiático, fica, tal como um animal numa armadilha ou como uma presa, à espera do seu predador. É-lhe colocado no interior da barriga um saco com esse narcótico - o mesmo que um feto recebe da mãe em doses mínimas durante a gestação e que aumentam exponencialmente o seu desenvolvimento, sobretudo mental. Quando é espancada por um dos membros desse gang, o saco rebenta e a substância espalha-se pelo seu corpo, criando uma alucinante viagem interna pelas suas capacidades, que obrigam a ver o mundo de outra forma, diferente do formato com que habitualmente vemos o mundo.

Se os Humanos com dez porcento já causam tantos danos, imagine-se se conseguissem utilizar um pouco mais da sua capacidade mental! Mas ainda bem. Dez porcento é perfeitamente suficiente para sermos os seres (in)inteligíveis que nos tornámos e muitas dores de cabeça já nos provocam. O problema são mesmo as pessoas que nem sequer se esforçam para utilizar metade que seja dessa capacidade e tornam o mundo um sítio menos bom para se estar e viver. Claro que haverá sempre aquelas 'inteligências' raras que a utilizam para o mal. Mas prefiro pensar que ela - a inteligência - tem o propósito de nos tornar pessoas melhores.

Ainda assim estou cada vez mais convencido da máxima que reza que 
"A ignorância é uma benção."
(Do poema de Thomas Gray, Ode on a Distant Prospect of Eton College (1742): "Where ignorance is bliss, 'tis folly to be wise.")


(Caso não consigas visualizar o trailer, clica aqui)


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Óscares 2015 - os nomeados e os meus vencedores


A 87ª edição de entrega dos Óscares (Academy Awards), 2015, pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, para premiar os melhores atores, técnicos e filmes de 2014, terá lugar no próximo domingo, dia 22 de fevereiro.

Sobre este mundialmente famoso ‘cânone’ cinematográfico, não me vou pronunciar, já que a escolha dos (nomeados e) vencedores é sempre polémica, pela inerente subjetividade caraterística do mundo artístico. A mim não me interessa essa distinção, até porque, se notarem, os melhores atores e atrizes fazem muito bons filmes e outros muito maus. E até estes maus fazem bem.

Gostaria de deixar as minhas preferências, no que toca às categorias principais, embora admita que todas as nomeações têm legitimidade para constarem da lista.

The Grand Budapest Hotel

As Minhas Preferências
Na categoria para Melhor Filme dou 3 (de cinco) estrelas a Boyhood, Sniper Americano e Whiplash. A Birdman, O Jogo da Imitação, Selma e A Teoria de Tudo ‘dou’ 4 estrelas. Elejo como (meu) vencedor, com 5 estrelas, The Grand Budapest Hotel, porque foi o que gostei mais. Para mim, leva também o de Melhor Realizador, Melhor Fotografia, Melhor Guarda-Roupa (também gostei do de Maléfica e Caminhos da Floresta, mas...) ou até de Melhor Caraterização. Também lhe atribuo o de Melhor Direção Artística.

Nightcrawler sobressai como Melhor Argumento Original, mas muito próximo de todos os restantes nomeados nesta categoria, talvez exceto Foxcatcher, que não considero tão bom. Só ‘talvez’, porque gostei muito deste argumento ‘original’, baseado numa história verídica. Parece um contra-senso, mas não é, pois está apenas baseado.

Nightcrawler

Como Melhor Argumento Adaptado, escolho O Jogo da Imitação, seguido de A Teoria de Tudo.

Na categoria de Melhor Atriz tenho uma dúvida paradoxal, pois escolhi Felicity Jones (pelo papel em A Teoria de Tudo), mas acho que é a vez de Julianne Moore levar para casa a estatueta. Mesmo que eu ainda não tenha visto a sua performance no filme com que está nomeada (O Meu Nome é Alice – Still Alice), a única nomeação que o filme teve! É que esta grande senhora da cinematografia, com mais de 70 filmes feitos, já foi nomeada cinco vezes para os Óscares (Melhor Atriz em Longe do Paraíso - Far From Heaven e As Horas - The Hours, ambos em 2003, O Fim da Aventura – The End of the Affair, em 2000, e, antes disso, em 1998, para Melhor Atriz Secundária em Jogos de Prazer - Boogie Nights) – embora já tenha ganho dois Globos de Ouro (dos nove em que esteve nomeada). Só este ano já teve duas nomeações para estes Globos : com O Meu Nome é Alice (que ganhou) e Mapas para as Estrelas – Maps to the Stars! Entre outros prémios. O Óscar pareceu-me, a maior parte das vezes, merecido. Poi isso, julgo que o devia receber este ano, tendo em conta também as críticas favoráveis de cinéfilos, entendidos e público em geral.

Julianne Moore (Still Alice)

Quanto a Melhor Ator também me surge um problema : é que empatei o Michael Keaton (Birdman) com o Benedict Cumberbatch (O Jogo da Imitação) – não me consegui decidir. Eddie Redmayne esteve também muito próximo desta minha consideração, já que o seu papel em A Teoria de Tudo não deixa quase nada a desejar. É muito complicado, para mim, separar a vida do génio, da tocante história de vida e de amor ou da interpretação soberba e difícil que Redmayne oferece ao cinema. Principalmente pela emoção das suas expressões faciais, que dizem tanto e tocam ainda mais! Steve Carell também foi uma agradável surpresa em Foxcatcher.

Benedict Cumberbatch (The Imitation Game)

Michael Keaton (Birdman)

Nos Melhores Secundários, surge-me sempre a mesma questão : a maior parte das nomeações, apesar de serem para atores e atrizes em segundo plano, parece-me que deviam estar em primeiro (o que dificultaria ainda mais a escolha da Academia, e a minha, confesso). É o caso de Patricia Arquette (Boyhood), Keira Knightley (O Jogo da Imitação) ou Emma Stone (Birdman). Estas duas últimas, para mim, ficam em ex-equo, embora esteja convencido de que será Arquette a ganhar a corrida para Melhor Atriz Secundária. Quem não me convenceu desta vez foi Meryl Streep (Caminhos da Floresta). Mas só desta vez! Quanto a Laura Dern, tenho pena de não me poder pronunciar, pois ainda não tive oportunidade de ver o ‘seu’ Livre.

Keira Knightley (The Imitation Game)

Emma Stone (Birdman)

J.K. Simmons (Whiplash) ganha a estatueta de Melhor Ator Secundário, distanciado, aliás, de Mark Ruffalo (Foxcacther), Edward Norton (Birdman) ou Ethan Hawke (Boyhood). Também tenho pena de ainda não ter visto O Juiz, por isso não posso falar sobre Robert Duvall. Whiplash, que está nomeado em cinco categorias, para mim ganha nesta e, provavelmente, na de Edição ou de Melhor Mistura Sonora.

J.K. Simmons (Whiplash)

Recomendo a leitura dos escolhidos de Richard Brody, no New Yorker, onde justifica porque é que a escolha final cairá entre Boyhood e Birdman, este último o mais provável vencedor, só porque Boyhood já estreou há tanto tempo que o nome do filme já está gasto, de tanto se mencionar. Concordo com Brody não só nesta, como em muitas das restantes categorias.

Deixo, a seguir, os nomeados e as minhas atribuições para vencedores, sabendo, à partida, que provavelmente não vão coincidir com os que vão ganhar a estatueta (até porque os BAFTA já anteciparam um pouco os favoritos). Atualizarei a lista depois da Cermónia!



NOMEADOS (com os MEUS VENCEDORES)
Do que menos gostei O ao meu vencedor OOOOO  -  O (ainda) não vi
E os que realmente levaram a estatueta (a anunciar DIA 22)

Melhor Filme


Birdman (A Inesperada Virtude da Ignorância) 
OOOO

Boyhood - Momentos de uma Vida 
OOO

O Jogo da Imitação 
OOOO

The Grand Budapest Hotel 
OOOOO

Selma - A Marcha da Liberdade 
OOOO

Sniper Americano 
OOO

A Teoria de Tudo 
OOOO

Whiplash - Nos Limites 
OOO




Melhor Realizador 


Alejandro González Iñárritu (Birdman) 
OOOO

Richard Linklater (Boyhood) 
OOO

Wes Anderson (Grand Budapest Hotel) 
OOOOO

Morten Tyldum (O Jogo da Imitação) 
OOOO

Bennett Miller (Foxcatcher) 
OOO




Melhor Atriz 


Felicity Jones (A Teoria de Tudo) 
OOOOO

Julianne Moore (O Meu Nome é Alice) 
O 

Rosamund Pike (Em Parte Incerta) 
OOO

Reese Witherspoon (Livre) 
O

Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite) 
O




Melhor Ator 


Bradley Cooper (Sniper Americano) 
OO

Benedict Cumberbatch (O Jogo da Imitação) 
OOOOO

Michael Keaton (Birdman) 
OOOOO

Eddie Redmayne (A Teoria de Tudo) 
OOOO

Steve Carell (Foxcatcher) 
OOO




Melhor Atriz Secundária


Patricia Arquette (Boyhood) 
OOOO

Keira Knightley (O Jogo da Imitação) 
OOOOO

Emma Stone (Birdman) 
OOOOO

Laura Dern (Livre) 
O

Meryl Streep (Caminhos da Floresta) 
OOO




Melhor Ator Secundário 


Robert Duvall (O Juiz) 
O

Ethan Hawke (Boyhood) 
OOO

Edward Norton (Birdman) 
OOO

Mark Ruffalo (Foxcacther) 
OOO

J.K. Simmons (Whiplash) 
OOOOO




Melhor Argumento Original


Birdman
OOOO

Boyhood
OOOO

Foxcatcher
OOO

Grand Budapest Hotel
OOOO

Nightcrawler
OOOOO




Melhor Argumento Adaptado


O Jogo da Imitação
OOOOO

Sniper Americano
OOO

Vício Intrínseco
O

A Teoria de Tudo
OOOO

Whiplash
OOO




Melhor Filme de Animação (Longa-Metragem)


Big Hero 6 - Os Novos Herói 
OOO

Como Treinares o Teu Dragão 2 
O

Song of the Sea 
O

Os Monstros das Caixas 
OOOOO

The Tale of the Princess Kaguya 
O




Melhor Filme Estrangeiro
O

Ida (Polónia) 


Leviatã (Rússia) 


Relatos Selvagens (Argentina) 


Timbuktu (Mauritânia) 


Tangerines (Estónia)





Melhor Fotografia


Birdman
OOO

Ida
O

Invencível
O

Grand Budapest Hotel
OOOOO

Mr. Turner
O




Melhor Montagem


Boyhood


Grand Budapest Hotel


O Jogo da Imitação


Sniper Americano


Whiplash





Melhor Banda Sonora Original


Grand Budapest Hotel


Interstellar


O Jogo da Imitação


Mr. Turner


A Teoria de Tudo





Melhor Canção Original


Grateful (Beyond the Lights)


Everything is Awesome (O Filme Lego)


I'm Not Gonna Miss You (I'll Be Me)


Lost Stars (Num Outro Tom)


Glory (Selma)





Melhor Edição de Som


Birdman


O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos


Interstellar


Invencível


Sniper Americano





Melhor Mistura Sonora


Birdman


Invencível


Interstellar


Sniper Americano


Whiplash





Melhor Direção Artística


Caminhos da Floresta
OOO

Grand Budapest Hotel
OOOOO

Interstellar
O

O Jogo da Imitação
OOOO

Mr. Turner
O




Melhores Efeitos Visuais


Capitão América: O Soldado do Inverno
OOO

Guardiões da Galáxia
O

Interstellar
O

Planeta dos Macacos: A Revolta
O

X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido
OOO




Melhor Guarda-Roupa


Caminhos da Floresta
OOO

Grand Budapest Hotel
OOOOO

Maléfica
OOOO

Mr. Turner
O

Vício Intrínseco
O




Melhor Caraterização


Foxcatcher
O

Guardiões da Galáxia
O

Grand Budapest Hotel
OOOO




Melhor Documentário (Longa-Metragem)
O

Citizenfour


Last Days in Vietnam


The Salt of the Earth


Virunga


Finding Vivian Maier





Melhor Documentário (Curta-Metragem)
O

Crisis Hotline: Veterans Press 1


Joanna


Our Curse


The Reaper (La Parka)


White Earth





Melhor Curta-Metragem (Imagem Real)
O

Aya


Boogaloo and Graham


Butter Lamp (La Lampe au Beurre de Yak)


Parvaneh


The Phone Call