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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Nossa, que biolência



É impressionante a quantidade de programas de televisão cujo conteúdo se baseia ou é maioritariamente constituído por imagens de criminalidade, que na maior parte das vezes inclui violência. A violência nos canais de televisão é banal(izada) e muitas vezes gratuita, começando nos quatro canais generalistas (RTP1, RTP2, SIC e TVI), e estendendo-se pelos canais por cabo. Uma breve passagem de olhos pela grelha de programação desses canais não deixa dúvidas para esta banalização a que a sociedade portuguesa tem facilmente acesso diariamente. Basta ligar a TV.
Observei uma semana desta programação e verifica-se. As observações que aqui deixo não são exaustivas nem analíticas, mas deixam muitas pistas sobre a banalização que refiro e deixo a pergunta: haverá relação entre a violência existente na televisão que temos com a realidade violenta que existe no mundo?

Apesar de tudo, nos canais generalistas da televisão portuguesa a maior parte da grelha não é ocupada com uma programação que particularmente inclua violência. Os casos pontuais verificam-se nas telenovelas e, sobretudo, nas notícias que dão conta de crimes - muitas vezes violentos, o que justifica ainda mais a sua inclusão no jornal, como notícia - ou no comentário demasiado breve de alguns crimes, feito nos programas diários durante a semana que ocupam a maior parte da manhã ou da tarde. Habitualmente esta análise é feita por especialistas minutos antes das notícias das 13:00. 
A violência também entra pelos ecrãs destes canais através dos filmes. Dos quatro, a RTP2 é aquele onde menos se encontram imagens deste teor (excetuando os noticiários diários mas de reduzida expressão em relação à restante programação deste canal). 

Não distingui os períodos de fim de semana com o resto dessa semana, mas o horário.
Por volta da meia noite, na RTP, Safe (2012), um filme estadunidense de género ação, aventura e crime. O poster mostra precisamente o protagonista a apontar uma arma ao... espetador!
Gomorra (2008), filme italiano sobre a máfia napolitana, a Camorra. "Dois rapazes roubam cocaína de um grupo de colombianos e são advertidos por Giovanni um dos chefes. Porém roubam armas de um esconderijo e depois assaltam um bar." Droga, crime, logo, violência. No poster os jovens protagonistas também empunham armas.
Arrow (2012), é uma série estadunidense baseada no personagem de BD Lanterna Verde, Oliver Queen, um playboy que se perde numa ilha deserta e que após cinco anos retorna para combater o crime e a corrupção de sua cidade.
Liberdade 21 (2008), é uma série portuguesa de género judicial. Ora, havendo necessidade de justiça e advogados, pressupõe a existência de combate ao crime. 

Na SIC esse fim de semana começa na sexta-feira à noite, depois da ultima novela ( da meia noite) com Investigação Criminal - Los Angeles (2009-), uma série estadunidense sobre o Departamento de Projetos Especiais (OSP - Office of Special Projects), "uma divisão da NCIS que tem a missão de prender criminosos que significam uma ameaça à segurança da nação" (americana). A noite continua com a série  também americana Mentes Criminosas (2005-), que já vai na 9a temporada, "sobre a UAC (Unidade de análise comportamental), uma esquadra de elite do FBI, com sede em Quantico, Virgínia. A equipe analisa criminosos do país por meio do Modus Operandi e a Vitimologia dos mesmos e antecipa seus próximos movimentos antes de eles golpearem outra vez. Neste quesito, a série difere-se de outros dramas policias por focar mais no comportamento criminal do suspeito do que o crime em si." 

A noite de sábado começa com O Contra-Ataque (2010), uma série inglesa sobre uma unidade secreta de inteligência militar britânica que combate o crime, sobretudo terrorista. O poster tem duas silhuetas de militares empunhando armas, com um fundo em tom vermelho (sangue) e um grafismo radial em contraste formado por balas. A composição fica composta com a frase que lhe serve de slogan: "O mundo não se salva a si mesmo." (No original "The world's not saving itself.") É por isso que são precisas armas (muitas armas) e violência (muita violência) para combater as armas e a violência no mundo. Faz sentido, não faz?

Há duas séries na programação infantil das manhãs de fim de semana que gostava de referir, não pela violência dos conteúdos mas pelo seu 'perigo' cómico. O primeiro é a série portuguesa com um título a indiciar um humor negro: A Família Mata (2011). O segundo é a série australiana Sam Fox - Aventuras Extremas (2013), sobre um adolescente que atrai a si às mais diversas situações de perigo: tubarões assassinos, leopardos, tornados, vulcões, escorpiões mortais e anacondas, entre outras. O lugar é de aventura e perigo, não propriamente incitando à violência, embora as imagens suscitem uma emissão extra de adrenalina nas crianças e jovens. 
A SIC tem atualmente em exibição uma mini telenovela brasileira, O Rebu (2014cujo enredo gira à volta de uma misteriosa morte.

É verdade que nem todos os crimes pressupõem violência. Mas estão quase sempre associados a maldade ou má conduta, que convém erradicar da sociedade. Mas como é que a sociedade se pode ver livre de atos cruéis, se o Homem tem em si maldade? Não pretendo dar uma aula de moral, mas acredito que ao refletir sobre a imoralidade que existe no mundo - e que o média televisivo expõe com vulgaridade - faz de mim uma pessoa com maior consciência e, logo, querer ser uma pessoa melhor, sem pensamentos ou atos maus. Consequentemente, mais feliz. Como dizia Epícteto:

"Se queres ser bom, convence-te primeiro que és mau."

O média também não é o problema, já que às pessoas cabe o julgamento e a filtragem necessárias para a sua vida. Afinal, eu também cresci a ler histórias da Agatha Christie ou a ver, sempre muito atento, a série protagonizada por um dos mais famosos personagens das suas histórias, o detetive Poirot. Talvez seja ela, ainda, a principal responsável e inspiradora de todos as séries e filmes friccionados (não reality shows) que vieram depois dela.

O problema é que nem toda a gente tem a capacidade de julgar corretamente as imagens (sobretudo imagens) que vê por forma a que elas se não venham a refletir nos seus próprios atos. A preocupação deve recair, principalmente, sobre os conteúdos a que as crianças e jovens assistem. É que apesar das classificações etárias a que estão obrigados os canais sobre os programas que exibem, a verdade é que isso não impede a que se tenha acesso a eles e em qualquer hora do dia. Uma preocupação que os educadores (pais ou qualquer outros) devem ter. Sem lições, sem moralidades bacocas (do género faz o que digo e não o que eu faço). Para bem da nação. E da televisão.


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quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Da al-qatifâ ao soalho flutuante, passando pela idade dos parquets


Em 1986 (tinha eu 10 anos) o Miguel Esteves Cardoso escrevia semanalmente crónicas para o jornal Expresso. Uma delas dedicou-a à alcatifa* (nome de origem árabe, al-qatifâ**), que então considerava "um dos grandes equívocos do século XX, expansões lanudas de grande monotonia e vulgaridade, (que) privam os pés de contactar directamente com a dura realidade do soalho, habituando o Homem a uma falsa impressão de onde pisa, criando nele o culto fútil e amaricado do 'fofinho'". Estes eram os anos em que os chãos que se pisavam necessitavam, de quando em vez, do seu "champooing" e outras manutenções de que as pessoas se haviam de arrepender, mais tarde ou mais cedo.

Eu lembro-me muito bem desses tempos e confirmo a moda. Quase toda a casa dos meus pais em Lisboa, para onde viemos morar mais ou menos nesse meado de década, era coberta nesse material, que amortecia muito os passos que dávamos, diminuindo o volume aos ouvidos das senhoras de idade que moravam no andar de baixo, de um prédio antigo com chão em madeira. Também o novo apartamento (a estrear) para onde nos mudámos nos finais dos anos 80, tinha o chão forrado a fofinha alcatifa, mundo apetecível e ideal para milhares de hediondas criaturas minúsculas, responsáveis pela maior parte das alergias de então (facto acrescentado por mim a esta narrativa mas não comprovado cientificamente).

O Miguel foi um visionário e anunciava, no final dessa crónica, o fim das alcatifas nos lares portugueses, imaginando que um dia mais tarde as pessoas se ririam com a simples menção à palavra 'alcatifa', que daria lugar a um mundo mais brilhante, de soalhos cintilantes e envernizados, livres da mordaça que durante anos os aprisionara. Tinha muita razão. Assim foi.
A época da alcatifa foi substituída pelos áureos tempos dos soalhos em parquet, madeira natural, que envernizada dava outra luminosidade a qualquer divisão. 
Mas este tipo de pavimento também exigia muitos cuidados. Encerar e afagar um chão coberto nesse material era muito trabalhoso. O meu pai (outro visionário mestre da bricolage) quando decidiu retirar a alcatifa, optou por cobrir o chão com tijoleira/ azulejada, outro material, já na altura em voga. Estávamos nos primórdios da década de 90. Ainda hoje é uma opção no revestimento imobiliário. Eu próprio, na minha casa atual, tenho este tipo pavimento em quase todo o chão da sala, menos no quarto.


Este material tem a desvantagem de ser frio. Por isso se tem optado por colocar o soalho flutuante, um material duradouro, relativamente barato, fácil de colocar, imita as propriedades da madeira, dá luz a uma divisão, é confortável e acolhedor. Mas o mercado está cheio das mais variadas soluções, das cerâmicas às madeiras flutuantes, dos mais naturais aos mais sintéticos. Os vinílicos, por exemplo, segundo a descrição de uma empresa especializada***, são "Pavimentos lisos, pigmentados ou estampados, de elevada resistência e fácil limpeza onde o Poliuretano retira a necessidade de manutenção." As opções abundam, para cada local específico que se deseja cobrir neste material: há os acústicos (com base em espuma e grande poder de absorção acústica e ao choque, "com propriedades bacterianas"), há os autoportantes (mosaicos com colagem adesiva), condutivos (ou anti estáticos, mais apropriados para zonas técnicas como salas de informática ou de cirurgia), há os 'paredes', "Impermeáveis, com tratamento fungistático e bacteriostático". Já o linóleo é fabricado a partir de óleo de linhaça, flor da madeira, pedra de cal, pigmentos e juta. É amigo do ambiente já que é biodegradável.

Falta aqui falar, por exemplo, da corticite, outro derivante da madeira que durante anos foi moda nos pavimentos mas que agora é moda noutras aplicações bricolágicas, da arquitetura ou do design ao mundo da moda e acessórios. Apesar da madeira ser um clássico material, recorrentemente usado, reutilizado e reinventado, a alcatifa vem de vez em quando pontuar um ou outro projeto de decoração de interiores. O que vem provar que não morreu, definitivamente. Ela adormeceu para se erguer sem as desvantagens que tinha nos anos oitenta. 

Espero que por esta altura o meu leitor não tenha desistido já de ler este post, aborrecido ou adormecido pelos termos técnicos sem interesse que discorri acima. Se ainda aqui está, gabo-lhe a paciência e agradeço a simpatia por continuar a ler. Apesar da descrição quase gráfica dos tipos de materiais, e além de alguma cultura adicional sobre pavimentação, que com certeza irá recordar da próxima vez que precisar de mudar aquele soalho lá em casa, fiz uma viagem à história mais recente dos pavimentos portugueses, cujas opções disponíveis dizem sempre muito sobre as próprias pessoas que os pisam. Sobre o seu estilo de vida, por exemplo. 

Agradeço ao Miguel, por esta reflexão, provavelmente na lista das mais inúteis que já fiz, mas que ainda assim não impediu que me inspirasse os pensamentos e a escrita. Como sempre faz a maior parte dos seus textos. Os meus - como este - nem de longe se aproximam dos dele, mas pelo menos a isso posso aspirar. Aspirar bem, para que não restem ácaros de dúvidas literárias.

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* O texto em referência tem como título Alcatifa e faz parte de uma coletânea de crónicas reunidas e editadas no livro A Causa das Coisas (1987)
** Para quem já não se recorde, alcatifa é "o nome que se dá a um tapete de fibra, de lã, ou outro material, com que se reveste totalmente o soalho de uma divisão" (In O Português sem Erros, 2009, Selecções Reader's Digest/ Texto Editores)
*** Não interessa a referência. Quem quiser saber o nome pode sempre googlar.

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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Gurgulhus Humanus: 10 espécies de uma raça sem extinção


Esta é uma lista não exaustiva de coisas que não se devem fazer em público mas a que recorrentemente assisto no dia a dia, em diversas situações e locais. A maior parte delas nem em privado se deviam fazer. Algumas são mesmo ilegais, mas ninguém se preocupa com isso. Talvez porque não haja controlo nem fiscalização que as previna ou puna. Mas, sobretudo, porque não há civismo nem educação. Coisas... básicas?

Aqui vos deixo os tipos ou espécies de humanos que ainda se conseguem encontrar no nosso belo planeta, inesperadamente em qualquer situação pública. Gorgulhos da sociedade que batizei de Gurgulhus Humanus

TIPOS DE GURGULHUS 

1. Os Cheira-Sovacos. Ainda hoje presenciei este comportamento que uma fêmea (armada à senhora) teve numa estação fluvial enquanto aguardava o barco. O duplo gesto não foi feito disfarçadamente. Mas que culpa tem a senhora, ou os senhores seus pais que a educaram, se estava muito calor? Medidas drásticas são necessárias para situações extremas. Ainda se o sorver do nariz (vulgo cheirar) refrescasse ou anulasse os cheiros... Ou há uma nova estirpe de humanos com super-poderes que ainda não conheço? A generalizar-se, quem fica mal são as marcas de desodorizantes. Pois é, este tipo de humano - da família dos Espreguiça-os-Braços - nunca fica satisfeito com uma snifadela e sente a necessidade de ir mais além. Não apenas cheira um mas os seus dois sovacos. Afinal, eles vieram em número par por algum motivo, não?

2. Os Tira-Macacos. Esta podia ser a profissão daquelas pessoas que trabalham no jardim zoológico e que se dedicariam a tirar os amigos simeos da jaula. Não. Trata-se de um gesto mais corriqueiro do que se imagina. Esta espécie é muitas vezes avistada a tirar macacos do nariz sobretudo nas filas de trânsito, apesar de pensarem que os vidros dos seus veículos só permitem ver de dentro para fora. Pior mesmo, seria se transformassem este hábito numa colheita alimentar e inventassem uma nova iguaria: macacos ao chefe porco. E se esta moda culinária pega? Macacos me mordam! Bom, sempre era mais um programa na televisão para explorar. O Masterchef ou o The Taste que se cuidem.

3. Os Ajeita-Tintins. Devido à sua constituição anatómica, o gesto só se consegue encontrar nos machos da espécie. Quanto mais macho, mais se têm de ajeitar os 'saquinhos'. Não é que seja sinal de maior virilidade, mas o que é certo é que há fêmeas que lhes acham piada. Por isso continuam a reproduzir-se. Não é que tenham culpa. Afinal, nasceram com aquilo ali no meio das pernas e das duas uma: ou ajudam à locomoção (andando, por exemplo) ou saem do caminho. Como a primeira ainda não é uma opção validada pelos cientistas e a segunda não se consegue porque os ditos tin tins ainda não têm vida própria, lá terá que ser a mãozinha a dar... uma mãozinha! Então como fazer sem que o ato seja reprovável? A solução poderá ter surgido há uns anos, não pela mão da ciência mas do teatro, com uma dupla de comediantes - José Pedro Gomes e António Feio - na peça Conversa da Treta. Aí, um dos personagens - o Zezé, se a memória não me falha - assumia o comportamento e dizia que para o disfarçar, quando andava e precisava de o fazer aproveitava as curvas e a mudança de direção para levantar a perna contrária para os coçar ou ajeitar. Engenhoso e criativo, não?

4. Os Beata-pró-Chão. Em qualquer chão: no passeio, na estrada, na praia... As beatas de cigarro são uma praga. Elas são as 'caganitas' que alguns fumadores teimam em deixar no mundo. Será que pensam que elas desaparecem por si só ou têm esperança que se multipliquem na terra, multiplicando também a sua orgulhosa ponta? Esta espécie de Humanus não tem ponta de vergonha e não há ninguém que lhes pegue na ponta das orelhas e lhes dê um bom puxão, para ver se aprendem. O hábito está entranhado e a sujidade que este pequeno objeto deixa é inversamente proporcional ao seu tamanho. Quantas vezes na paragem do autocarro não só tenho de apanhar com o fumo daqueles que teimam em poluir o meu espaço aéreo - e consequentemente os meus pulmões - como tenho de assistir ao seu atiro ao alvo que nunca falha o chão. E o caixote do lixo ali tão perto! Tenho um vizinho que não fuma dentro de casa. Vai para a janela fazê-lo. Muito bem. Merecia um prémio pelo gesto, não fossem as beatas que teima em plantar no passeio do prédio. Já não leva o Óscar para o melhor vizinho do mundo. Nem para o de melhor ser humano. Será que o é?

5. Os Cospe-pró-Chão. Podiam ser uma banda rock-punk. Que eu saiba, não. São provavelmente primos não muito afastados dos Beata-pró-Chão e vêem-se cada vez menos. Estarão a extinguir-se? Avisem a Quercus. O seu comportamento pode observar-se sobretudo nos membros mais velhos da espécie. Muitas vezes - se não a maior parte das vezes - o ato (de cuspir para o chão) é imediatamente antecedido por um sorver nasal (vulgo 'escarrar') com que eles procuram potenciar ainda mais o ato de cuspir. Talvez quanto mais verde for, melhor. Ou, como dizia um amigo meu há uns anos, "Se tivesse casca era ovo."

6. Os Grita-ao-Telelé. Bem, eles não gritam, propriamente. Falam alto. Quem em público nunca teve em contacto com esta maravilhosa espécie de cordas vocais em perfeito estado de conservação? Há quase sempre um num metro ou num autocarro. Distinguem-se das outras pessoas por falarem muito alto quando recebem uma chamada telemóvica (através do telemóvel). Habitualmente são muitos os olhos que se viram na sua direção quando, depois de uma musiquinha (normalmente também com volume no máximo), atendem como que a assinalar a sua presença no meio de uma multidão, na rua, num transporte ou qualquer outro local público. O seu "Tou..." (variante "Tou sim") não costuma passar despercebido e a conversa pode ouvir-se por qualquer um à sua volta, num raio considerável de alguns metros. A sua intimidade exposta não costuma intimidá-los!

7. Os Música-no-Telelé. São com certeza da mesma família da espécie anterior mas estes em vez da sua própria voz, colocam a música que estão a ouvir no telemóvel tão alta que todos à sua volta, num raio suficiente para incomodar, mas que raio nenhum consegue partir. Eu pensei que os fones eram um objeto generalizado e que até costumam vir com a maior parte destes aparelhos. Terão perdido o livro de instruções ou a sua falta de instrução obriga a que chateiem toda a gente à sua volta? 

8. Os Boca-Aberta. Há aqueles que não conseguem deixar de a ter aberta para falar e os que a deixam aberta enquanto comem. Só não comem a mosca que podia entrar enquanto a têm tanto tempo aberta, mas nem o inseto cai na armadilha. Ele sabe que se entrar vai ter que ouvir. Mas pior mesmo é vermos o que as outras pessoas estão a mastigar, com todos os pormenores gráficos que elas fazem questão de mostrar. Em público ou em casa, deve fazer-se como nos ensinaram (a mim pelo menos): a comer de boquinha fechada. Não é irritante ouvir o crunch do almoço do vizinho do lado no restaurante? Pior mesmo, é este ato vir acompanhado de um sonoro arroto. Mas somos gregos, ou quê?

9. Os Língua-Suja. Não é bonito de se ouvir. Não fica bem a ninguém. Não está nem nunca esteve na moda. Os palavrões deviam ficar apenas com quem os praticam verbalmente. Devem evitar-se, sobretudo, ao pé de crianças. Recentemente presenciei uma mãe (suponho) com uma cria pela mão a subir uma calçada de Lisboa que àquela hora da manhã costumo descer, e essa senhora (eu sei, é um exagero, a criatura nem sequer tinha espécie definida, até eu a inventar aqui) ia a falar muito alto com uma outra que a acompanhava mais à frente (também com uma criança pela mão), vociferando uns palavrões hardcore no meio de um discurso que nada devia à mínima inteligência, mas que tudo deve à ignorância e, principalmente, à falta de educação. Sem tento na língua, nem sequer tenta disfarçar a falta de educação. A vítima, ainda sem o saber (algum dia o saberá?) será a criança, que muito provavelmente irá seguir o mesmo caminho descarrilado da linguagem inapropriada, transmitida pelos progenitores, num mau trato infanto-verbal que a lei não pune. Não será  caso para mandar lavar a boca com sabão?

10. Os Fura-Filas. Não devem ser confundidos com os furões, uma diferente espécie do reino animal, embora tenham adquirido os seus hábitos sem o saber. Distinguem-se deles por terem cérebro, apesar de não parecer. Os Fura-Filas são aqueles Humanus que comem muito. Comem tanto, que devem ter comido alguma família real ou um dos seus membros. Por isso se costuma dizer que eles têm o rei na barriga, que são presunçosos e se julgam mais do que os outros. Não são. Nem que fossem da realeza, nada dá o direito a uma pessoa de passar à frente de outra(s) numa qualquer fila, das muitas que diariamente se podem encontrar em qualquer lugar. Tirando raras exceções que são, basicamente, estar grávida, ter dificuldade em locomoção ou ter alguma outra deficiência que impeça de conseguir respeitar uma fila. Não conta a deficiência mental derivada apenas por pura falta de civismo. Esses devem viver noutra fauna.

E MUITOS MAIS

Conforme adverti no início, a lista não está completa. Faltam muitos mais. Como os Corta-Unhacas (que se divertem a cortar as unhas em qualquer lado... tic, tic, tic... Não é música mas fica no ouvido) ou os Tira-Cera (da família das espécies que gostam de enfiar os dedos nos orifícios do corpo humano, neste caso os ouvidos. Pensarão que são o Shrec e que vão fazer velas com o produto da colheita?), entre outros.

QUAIS TE IRRITAM MAIS?

Se não os incluí aqui, envia-mos e eu tratarei de os colocar num futuro post, neste blog. 


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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Daqui parece que sou minúsculo



Daqui Parece Uma Montanha é o título da exposição temporária de arte contemporânea que inclui obras de artistas da Áustria, Dinamarca e Portugal. Com curadoria a cargo de Luísa Santos, pode ser visitada desde 5 de junho no CAM (Centro de Arte Moderna da Gulbenkian).
Até ao próximo dia 21 de setembro ainda podem ver, ouvir, enfim, experienciar a exposição que aos domingos é gratuita. 
Podem aproveitar para ver ou rever, com o mesmo bilhete, a exposição permanente.

As notas que aqui deixo sobre a exposição não são exaustivas. São apenas impressões das obras que mais me chamaram a atenção e à reflexão. Daí a sua seleção.

A primeira obra da exposição é de Katharina Lackner (1981) inclui-se em três binómios: grande e pequeno; ilusão e real; desconhecido e familiar" que se pode ver e experimentar mesmo antes de entrarmos na exposição propriamente dita, no hall de recepção, bilheteira e livraria. Trata-se de um "chapéu de chuva gigante (Slide, 2009-2013), suspenso pelo teto (que) permite passarmos de um lado ao outro do Hall. A experiência de pegar neste chapéu ampliado transporta-nos para o lugar da infância, como se fossemos personagens em histórias como as Viagens de Gulliver (1726), de Jonhatan Swift."

Uma enorme fotografia a preto e branco de uma montanha (Mountain, 2013), de Gregor Graf (1976), domina a primeira sala, mas é a instalação Amontoar em Carga e Descarga (2012-2013), da portuguesa Dalila Gonçalves (1982) que me chama a atenção. Ao longe, parece-me um gráfico de barras, mas também uma cordilheira de montanhas. Vista de perto, verifica-se que são esferográficas pretas com mais ou menos tinta e que dão essa ilusão pictórica.

Amontoar em Carga e Descarga (2012-2013), da portuguesa Dalila Gonçalves (1982)

Numa sala contígua entro, sozinho. Lá dentro apenas escuridão e uma caixa, aparentemente um piano com a tampa aberta. Vista de perto Pianoforte (2014), do austríaco Gregor Graf (1976) é apenas uma caixa negra com interior cândido, pés de piano. A instalação é acompanhada pelos acordes fortes de um piano, som que se ouve assim que se entra nesta sala e que nos dá a ilusão auditiva de que vem de dentro daquela caixa.

Pianoforte (2014), do austríaco Gregor Graf (1976)

É a gaiola gigante de circo Cage and Mirror (2011), do dinamarquês Jeppe Hein (1974), que domina a principal sala da exposição. Pela dimensão em tamanho das suas grades de aço, que nós aprisionam quer cá fora quer lá dentro, mas também pelas dimensões para as quais nos transporta através do enorme espelho circular suspenso em movimento de rotação ininterrupto no centro da gaiola onde podemos entrar. Ali ora aparecemos (no nosso reflexo) ora desaparecemos (no seu movimento). Aí "somos também, simultaneamente, observadores e observados, numa exposição inevitável e indesejável."

Cage and Mirror (2011), do dinamarquês Jeppe Hein (1974)

Mais à frente Dalila Gonçalves volta a iludir-nos, desta vez colocando-nos a pensar sobre o tempo, sobre os segundos da vida em Sustenido (2014). "O que parece uma linha de horizonte desenhada é afinal um conjunto de ponteiros de relógios maiores e menores, que impedem a passagem uns dos outros." A acompanhar, o barulho, o som, do tempo a passar. Tick, Tack, Tick, Tack...

A alta estrutura metálica de Pays/scope (2012), do português Miguel Palma (1964), contrasta propositadamente com a dimensão do resto das restantes obras e perante nos próprios. "O espelho no cimo da torre que nos confronta do alto dos seus seis metros revela que estivemos a ser observados num olhar telescópico da realidade." Uma vez mais o espelho, também redonda, onde procuramos reflexo: para uma maior elevação?

Pays/scope (2012), do português Miguel Palma (1964)


Explica a página em linha do CAM que
"A exposição Daqui Parece Uma Montanha reúne artistas contemporâneos austríacos, dinamarqueses e portugueses, que a uma primeira leitura, poderá parecer um panorama artístico destes países. Numa observação rápida dos três países, que todos são todos pequenos, fazem fronteira com países maiores com quem tiveram uma História difícil e com os quais mantêm uma relação estranha de comparação. Uma observação mais atenta permite um paralelo com a condição humana e a construção de uma série de dicotomias que a caracterizam. É precisamente nesta construção que a história da exposição se desenrola. As personagens (os trabalhos) desta história unem-se numa série de binómios: o grande em confronto com o pequeno; a ilusão do que o Outro parece ser e o real do que o Outro é; a relação observador e observado; a contradição entre desconhecido e conhecido. (...)
As surpresas deste percurso sentem-se no confronto. O confronto com o que é maior do que nós; o confronto com a idealização e a realidade; o confronto entre o desejo pelo desconhecido e a necessidade de refúgio. Estes pontos de confronto remetem para sintomas de um campo social comum que transcende fronteiras geográficas: daqui (seja de onde for) parece uma montanha." (CAM)
E nós tão pequeninos perante tão gigante criatividade.

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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Medos que dão lucros (2009)


O seguinte texto data de há precisamente cinco anos aquando da 'moda' da gripe A (ou H1N1, para quem gosta de preciosismos científicos). A moda pegou e pagou milhões de euros e dólares, e outras moedas mais ou menos fortes, aos senhores da indústria farmacêutica. Cinco anos depois o vírus que agora preocupa o mundo é outro e não tem cura nem vacina. Talvez não haja ainda número suficiente de infetados que o justifique. A doença, essa, tem quarenta anos e chama-se ébola.
Mas hoje recordo a epidemia que afligiu todo o mundo há pouco tempo. O suficiente para incutir nos hábitos diários de muito boa gente a embalagem com gel desinfetante, com ou sem cheiro.

* * *

1 de Setembro de 2009. Fim de férias (para quem as teve no “querido” mês de Agosto), regresso à rotina (para quem a tem, nos restantes meses não tão “queridos”). Regressa também o medo das gripes... ou nem por isso? As indicações do Ministério da Saúde estão espalhadas por todos os lados (televisão, rádio, jornais diários ou semanais, pagos ou gratuitos, revistas – sérias ou de “brincar às bonecas e aos bonecos” -, paragens de autocarros, nos próprios autocarros - e outros transportes públicos, com rodas ou sem elas -, etc)... (muitos etc).
A verdade é que não podemos ver (nem ouvir) ninguém a espirrar ou a tossir (que não faça como recomendado), sem que tentemos fugir para o local mais afastado possível, a fim de evitar a tal contaminação.

O juízo está feito à partida: quem espirra (ou tosse) não acredita que é gripe: é apenas constipação. Para quem vê (ou ouve), acredita imediatamente que é o vírus da letra A. Mesmo quando finge não acreditar, brinca, com expressões “Ai a gripe A”. Eu corrijo: a expressão devia ser “Ai a gripe, ai”.
Por mais que se fuja, estamos (os comuns “mortais” que viajam de transportes públicos) limitados ao número de lugares sentados ou em pé, e não há muito por onde fugir.
Usar uma máscara, dizem os entendidos, não “funciona” para quem não foi “apanhado” mas para evitar a transmissão por quem já a “apanhou”.

Depois há a questão das mãozinhas: onde as pôr? Para quem espirra (ou tosse), nunca à frente da boca quando o faz (vamos lá lembrar-nos de utilizar o antebraço ou temos lá tempo de puxar pelo lenço de papel, que nunca está à mão...). Quem (ainda) não tosse (ou espirra), é inevitável ter de agarrar ou tocar nas diversas coisas que tem para agarrar ou tocar no dia-a-dia: nos transportes (para quem os utiliza), nos cafés, restaurantes, bares, discotecas ou boites, o garfo, a faca, os copos, e outros etc...

Fugir para outro país, temo que também não resulte (a julgar pelos mapas e gráficos tão divulgados): mais tarde ou mais cedo, há-de lá chegar.

Depois vêm as teorias que tentam explicar o “fenómeno”: umas, que isto é “obra” das farmacêuticas e dos hospitais (afinal de contas, as doenças são o seu ganha pão... ou deve dizer-se “milhão”), que têm de escoar o produto (o já famoso Tamiflu – pelo sim pelo não, é melhor andar com uma embalagem no bolso, como o outro senhor apresentador de televisão). Outras, afirmam que esta gripe não fará tantas vítimas como a “outra”, a dita “normal” (que, pasme-se, faz mais danos, por ano, do que possamos imaginar).
De uma forma ou de outra, já todos entrámos em pânico calmamente (como disse um outro).
Se por um lado a mensagem do dito Ministério é não alarmar mas tentar prevenir (neste momento a prioridade já não é a prevenção mas a imediata contenção do “alastramento”), a comunicação social dá conta, minuto a minuto, do estado da pandemia – o que não ajuda e lá estamos nós todos, calmamente, a panicar.

Há que tratar, sim, as pessoas afetadas e infetadas, mas há que tratar o civismo de todas as outras que (ainda) não foram. A educação e o respeito que temos (ou devemos ter) para com os outros podem, neste país (já) desenvolvido, minorar este problema mundial e de todos nós.

Pelo menos até à próxima gripe (a “B”, se seguir o alfabeto). Enquanto isso, uns rezam, outros aguardam que não lhes “toque” a eles (ou aos próximos) ou que algum milagre (ou descoberta científica) aconteça e vá “destruindo” todas estas “doenças”.

Até lá, atenção aos gafanhotos, perdigotos e outros “otos”, que se vão “espalhando” pelas bocas e narizes deste (Portugal) mundo.

* * * 

Atenção: a opinião do autor é meramente lúdica e não deve ser encarada como forma de prevenção de gripes nem constipações, sendo que os efeitos secundários mais prováveis (registados em pelo menos 99% dos indivíduos – 1% estaria distraído na altura que lia o artigo) é o riso e a boa disposição. No entanto, se o caro leitor puder ou quiser fazer alguma coisa para melhorar o estado da pandemia, siga à risca o plano existente – resumindo: lave as mãos periodicamente, utilize o lenço ou o antebraço para espirrar, não saia à rua ou vá para locais com muita gente se tiver os sintomas (devendo ligar para a linha divulgada) e sobretudo: não espirre ou tussa para cima dos outros.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Sobre a liberdade de sacos vazios e vivos


Como as ideias são como as palavras (e há quem diga que também como as cerejas), atrás de uma vem sempre outra e a seguir a um post sobre balões e outras inspirações, lembrei-me de outro objeto voador (identificado) que paira no ar no filme Beleza Americana (American Beauty, 1999), de Sam Mendes. Nesta obra, além da famosa cena da bela moça num mar de pétalas vermelhas, recordo uma outradesde a primeira vez a que assisti a esta obra já clássica da cinematografia americana no mítico lisboeta S. Jorge: a do saco voador filmado pelo jovem personagem Ricky (Wes Bentley - sim, o mesmo ator de Hunger Games... Surpresos?)

Surpreendente é como passados 15 anos ainda tenha presente as palavras que acompanhavam essa dança do inanimado. Qualquer coisa do género "Há tanta beleza no mundo que nem sei como eu aguento!" Embora confiante da minha memória fui rever e recuperar as palavras exatas:
"Ricky Fitts: You want to see the most beautiful thing I’ve ever filmed? It was one of those days when it’s a minute away from snowing and there’s this electricity in the air, you can almost hear it. And this bag was, like, dancing with me. Like a little kid begging me to play with it. For fifteen minutes. And that’s the day I knew there was this entire life behind things, and… this incredibly benevolent force, that wanted me to know there was no reason to be afraid, ever. Video’s a poor excuse, I know. But it helps me remember… and I need to remember… Sometimes there’s so much beauty in the world I feel like I can’t take it, like my heart’s going to cave in."
Há realmente tanta beleza no mundo e nem sempre se encontra nas coisas mais belas. 
Ricky capta em super 8 e mostra à namorada as suas cenas, quando o YouTube ainda iria demorar  cerca de cinco anos a aparecer e a tonar a partilha digital mais rápida, perdendo-se o necessário tempo da digestão pelos sentidos das coisas simples da vida. Como este blog, assim que for lido passa ao próximo, tal qual um ciclo da vida que o vício das trocas de tudo e mais alguma coisa eterniza.
Ricky é um voyeur do mundo e da vida que existe mesmo num objeto inanimado, animado pelo vento, acabando por nos mostrar que afinal ele vive. Como um paparazzi, que lembra o Jeff (James Stewart) de Janela Indiscreta (Rear Window, 1954), de Hitchcock.
Como muitos outros realizadores (e criadores), Sam Mendes também coloca o filme dentro do próprio filme, a obra dentro da obra, as mensagens dentro das ideias, e assim sucessivamente, como uma matrioska cinematográfica. Bom, mas regressarei a este (rico) tema noutros posts futuros. 


sexta-feira, 18 de abril de 2014

Balões em alta


A literatura inspira o cinema, a pintura a literatura, etecetera, etecetera, etecetera (assim mesmo, por extenso). O vice-versa aplica-se aqui sem restrições. Nada de novo. Relembro um filme que inspirou um objeto de design. Le ballon rouge, de 1950, é uma deliciosa obra cinematográfica aparentemente apenas sobre um rapaz e um balão vermelho que ganha vida e lhe foge, do princípio ao fim. O antropomorfismo do objeto está tão bem escondido pela técnica cinematográfica que a técnica aparece invisível, como o são as boas técnicas cinematográficas. Nada contra as óbvias técnicas. Pelo contrário. Algumas (quer dizer... Atualmente a maior parte) são tão boas que os seus efeitos cegam a história que no filme verdadeiramente importa. Neste filme com mais de meio século, o realizador Albert Lamorisse foi hábil em mostrar que o que é diferente muitas vez não é percebido e por isso é perseguido. Cinema sem demasiados ou óbvios efeitos especiais mas muito especial e muito espacial. É um filme sobre a não aceitação mas sobretudo ensina, forma as mentes para a beleza que pode existir (e que existe) em tudo. Mesmo num simples balão, objeto tantas vezes sem vida, que tantas vezes paira inerte no ar. Este, pelo contrário, como muitos balões na vida, ganha o ar de que é feito para nos inspirar: a ser melhores pessoas; a vivermos melhor a vida; a olharmos melhor o mundo; a perseguirmos os nossos sonhos (mesmo que nem sempre os alcancemos); enfim, a tornar-nos melhores pessoas. E a inspirar-nos.

Assim o fez para que eu lhe dedicasse este texto (há muito entalado nos confins da minha inspiração). Ou inspirando outros criadores, como o designer Satoshi Itasaka que criou Balloon Chair. Nesta cadeira os corpos não se sentam simplesmente: eles elevam-se no ar, como o próprio objeto que parece levitar. 
Mais uma prova das tantas que se encontram a cada segundo, de que as obras de arte são constantes obras abertas que nunca se fecham quando terminam. Elas simplesmente aguardam por uma interpretação que as faça continuar a viver. É isso que acontece quando vemos um filme, lemos um livro ou nos sentamos numa cadeira que alguém, com maior ou menor inspiração, criou.
Sit down, relax, breath, dream and create.

Mais em www.mymodernmet.com/profiles/blogs/h220430-balloon-chair