quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Artes, mitos e amores metamorfoseiam-se


A arte dos/nos sentimentos
É tão grande e intemporal o fascínio pela obra de Ovídio (Públio Ovídio Nasão, 43 a.C. – 17 d. C.), que o tema clássico da mitologia na sua obra Metamorfoses, após tantos séculos, continua a influenciar ou a inspirar muitas formas de arte, na cultura do Ocidente.
Ovídio foi um confesso «grande amoroso», que «amava todas as mulheres» (casou-se duas vezes, e duas vezes se divorciou, tendo sido a sua terceira mulher o grande amor do seu «coração apaixonado»), como Martin Caret descreve no prefácio ao livro A Arte de Amar (2005:14). Dono de um espírito “inquieto” (como o foi a sua vida, de viagens e atribulações diversas), para Paratore «demonstra a enfatuação mundana que dele se apodera e que jamais se lhe apagará» (Paratore:8). As belas formas e a alma feminina seriam a sua incontornável inspiração para muitos dos episódios dos 15 livros que constituem a obra Metamorfoses, em que o amor é um “aventuroso” protagonista.
«E tu, que só pela morte, oh!, poderias de mim separar-te, nem pela morte te separarás!» - Ovídio, in Livro IV das Metamorfoses, v.153 – Tisbe a Píramo
A história de Píramo tem associada uma história de amor, tema a que se dedicou o autor e que faz parte, como tantas outras, das histórias de amor e aventura da mitologia (Hamilton, 1983:143 ss). O caso do amor proibido (pelos pais) e de desfecho trágico da história (que irei retomar mais à frente) de Píramo e Tisbe, é descrito no Livro IV da obra em estudo, e foi abordado também por William Shakespeare (1564-1616), em Romeu e Julieta (1594-1595).

No amor não correspondido de Apolo (que por culpa de Cupido, e numa espécie de castigo por Apolo ter gozado com ele, o faz apaixonar-se) por Dafne: esta, ao ver-se perseguida pelo deus, e nunca tendo mostrado qualquer interesse no amor ou no casamento (odiava «as tochas nupciais como se fora um crime» - Ovídio, 2006: Livro I, v.484), enquanto ainda corre, já cansada da perseguição, pede em prece socorro a seu pai, Peneu, o deus-rio, que a livre da sua aparência. É, então, transformada num loureiro e quando Apolo se abeira desta, já árvore, ainda consegue sentir o coração de Dafne a bater e abraça-a dizendo-lhe: «Já que não podes ser minha mulher, serás certamente a minha árvore.» (Ovídio: Livro I, v. 557) É também grande o amor da feiticeira Medeia e Jasão, ao ponto de ela ficar ruborizada à simples visão deste. Mas o poder dos seus feitiços é igualmente grandioso e usa-os em seu proveito para atingir os seus, muitas vezes pérfidos, objectivos. (Ovídio: Livro VII)

A magnífica obra Ovídio não mostra apenas o sentimento do amor (incompreendido, difícil, impossível, trágico). Outros sentimentos “mundanos”, não menos trágicos, são experienciados. A ira e o poder dos deuses, verifica-se directamente nas transformações (metamorfoses) que estes provocam nos humanos: animais, aves ou plantas (como já descrevi). Ovídio relata, por exemplo, o desejo de vingança quando a deusa Diana (deusa da caça) transforma o caçador Actéon em veado. Este, que da caça descansava, “nada” terá feito “senão” surpreender, sem querer, a virginal deusa que nua se banhava. Actéon é depois devorado pelos seus próprios cães de caça, criando aqui uma ironia trágica que mostra a complexidade da génese do autor. «Consta que a ira de Diana, a deusa da aljava, só foi saciada pelo finar daquela vida por mil feridas.» (Ovídio: Livro III, v.253).

A arte da intervenção divina
Ovídio teve o “condão”, com a sua «imaginação desenfreada e incontida» (Paratore:8) de corresponder histórias a mitos em que, mesmo sendo irreais e/ou ilógicos, podemos perfeita e naturalmente acreditar. À de Píramo e Tisbe, já introduzida anteriormente, está relacionado, por exemplo, o mito da amoreira: na obra este fruto seria inicialmente branco, mas o sangue salpicado pela terrível morte (suicídio) dos dois amantes terá provocado a mudança de cor para o negro/sangue que as amoras actualmente têm. Maria Helena da Rocha Pereira afirma que «[...] o interesse pelo mito é hoje enorme, [...] pela sua multifacetada aplicação literária (muito explorada nos nossos dias)[...]» (Pereira:298 e ss.), referindo ainda a teoria proposta pelo especialista W. Burkert, segundo o qual «[...] o mito é um conto tradicional aplicado, com referência secundária a algo de importância colectiva [...] não pertence ao reino do inconsciente, mas ao da linguagem». Os fenómenos «são os da vida social, do ritual religioso, do medo dos fenómenos da Natureza, da experiência da doença; e outros problemas gerais da sociedade humana.» (idem:302)

Apesar das personagens serem seres imaginários, situam-se, na narração, no mundo real. Por isso comungam connosco (mortais  leitores) sentimentos que nos são familiares e com elas criamos empatia.

A arte de narrar, transformar e fascinar
Mestre em encadear sucessivamente as cenas descritas em cada mito, estes uns após os outros ou intercalados, Ovídio “inovou” pela apresentação de novos ângulos de visão e mudanças bruscas, uma técnica hábil com a qual, actualmente, estamos familiarizados no cinema, como nos mostra Domingos Lucas na introdução à referida obra (Ovídio:12) ou Ana Paula Rebelo Correia, no seu artigo As Metamorfoses de Ovídio na azulejaria barroca portuguesa. O próprio poema, tal como as suas personagens, também se vai «“transformando”, nuns casos por analogia temática, noutros por contraste». (Alberto:24)

A arte de influenciar, inspirar e eternizar
O texto de Ovídio passa-nos pelos olhos como se de imagens se tratasse, com grande riqueza de detalhe e complexidade. Os seus versos fluem e enchem-nos de emoções várias. Deve ter sido nesta sensação em que muitos artistas, depois dele, se inspiraram para as suas criações. Paulo Farmhouse Alberto afirma mesmo que «nenhuma outra obra da Antiguidade Clássica exerceu maior influência na cultura europeia.» (Alberto:19). Essa influência ficou registada na literatura, na pintura e em outras artes (“veículos” através dos quais os seus autores “narram” a história - ou episódios desta - do seu ponto de vista), sendo flagrante, em algumas delas, uma “imitação” (ou recriação?), sem que isso retire aos seus autores qualquer mérito criativo.

Na literatura temos, por exemplo, Os Lusíadas (1572), do ilustre e nosso tão conhecido poeta Luís Vaz de Camões (c. 1524 – 1580). Como nas Metamorfoses, também n’Os Lusíadas, segundo António José Saraiva, nas palavras de António Afonso Borregana, «os deuses intervêm (..) como autênticas personagens da narrativa, com vida própria». (Borregana: 17), criando uma intriga cuja estrutura cria a unidade da obra. Entre outros, na “viagem/epopeia” de Camões protagonizam Vénus, Cupido, Baco, Ninfas, Zéfiro, Flora, ou Actéon. No canto IX, da “Ilha dos Amores”, o episódio de Actéon e Diana (já referido) é descrito n’“As Ninfas no Banho”, que Ovídio narrara no Livro III das Metamorfoses.

Fig. 1 - Píramo e Tisbe (1520); Niklaus Manuel (1484-1530); 
Basel's Kunstmuseum;

Na pintura temos, por exemplo, as interpretações de alguns episódios das Metamorfoses, pelos pintores Niklaus Manuel (1484-1530), Francesco Albane (1578 – 1660) e Nöel-Nicolas Coypel (1690-1734). Na obra de Niklaus, “Píramo e Tisbe” (Fig. 1), do século XVI (1520), podemos ver que Tisbe, pensando que Píramo está morto, ajusta «[...] a espada debaixo do peito, lançou-se sobre o ferro, tépido ainda da outra morte. [...]» (Ovídio, 2006: Livro IV, v. 163). Em “Diana e Actéon” (Fig.2), uma obra do século seguinte (1625), Albane pinta o momento em que as ninfas tentam tapar a virginal deusa dos olhos de Actéon, que foge, sendo já visível o seu estado de transformação em veado (resultado da fúria desta, apesar da aparente postura cândida) (episódio descrito no Livro III). Já no século XVIII, em 1726-1727, Coypel abordou o tema de “Europa e Júpiter” (Fig.3). O pormenor mostrado nesta figura, mostra Europa montada no touro, que será Júpiter disfarçado, que a terá seduzido e raptado (Livro II – no livro seguinte Agenor, desconhecendo o rapto, manda o seu filho, Cadmo, irmão de Europa, procurá-la).

Fig. 2 - Diana e Actéon (1625); Francesco Albani (1578 – 1660);
Gemäldegalerie,  Dresden -  (Alemanha);

Os exemplos noutras artes (escultura, dança, teatro, cinema, etc) sucedem-se, inúmeros, até hoje.
Mas porque nos fascina e “prende”, ainda hoje, a narração da obra de Ovídio? Será pela empatia pelos seus personagens, os seus amores, desamores e tragédias? Será pelo misticismo ou pela técnica da escrita? Acredito que seja por tudo isto e também por ser um clássico que nos faz comover, deleitar e sonhar.
«Dois poderosos mitos fizeram-nos acreditar que o amor podia, devia sublimar-se em criação estética: o mito socrático (amar serve para criar uma multidão de belos e magníficos discursos) e o mito romântico (produzirei uma obra imortal escrevendo a minha paixão).» - Roland Barthes  
Fig. 3 – Europa e Júpiter (1726-1727);
Nöel-Nicolas Coypel (1690 – 1734)


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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALBERTO, Paulo Farmhouse – “Introdução” à tradução das Metamorfoses de Ovídio (Livros Cotovia, Lisboa, 2007);
BORREGANA, António Afonso – Análise de Os Lusíadas (Edição do Autor, Setúbal, 1989); 
HAMILTON, Edith – A Mitologia (Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1983);
OVÍDIO – As Metamorfoses – Volume 1 (Tradução de Domingos Lucas, Edições Nova Vega, 2006);
OVÍDIO – A Arte de Amar (Tradução de Pietro Nassetti, prefácio de Martin Caret, Editora Martin Caret, São Paulo, 2005, in http://www.scribd.com/doc/7030403/A-Arte-de-Amar-Ovidio);
PARATORE, Ettore – História da Literatura Latina (Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1987);
PEREIRA, Maria helena da Rocha – Estudos de História da Cultura Clássica, I Volume (Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2006);

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Levem-me ao céu - Serfei Polunin, Hozier e David LaChapelle


Quando se junta Sergei Polunin, Hozier e David LaChapelle, casa-se o que de melhor tem a performance através da Dança, com a Música e a Realização (Vídeo).

No vídeo (que podes ver abaixo) Polunin improvisa sobre a música Take Me to Church, de Hozier, e LaChapelle capta o essencial com a sua visão fotográfica. A simplicidade contrasta com outros trabalhos do reconhecido e por vezes polémico fotógrafo. É por aí, e por isso, que este vídeo me eleva. Não me leva à igreja, mas definitivamente faz com que comungue com ele.

(se não conseguires visualizar o vídeo clica aqui)
Sergei Polunin, "Take Me to Church" de Hozier, 
Realizado por David LaChapelle


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Grammys 2015 - um show na música


A 57ª edição dos Prémios Grammy decorreu ontem, dia 8, no Staples Center em Los Angeles. O londrino Sam Smith, de apenas 22 anos e que a revista Billboard definiu como tendo "uma presença vocal magnética", foi o grande vencedor, levando 4 das cobiçadas grafonolas douradas.

Beyoncé, Pharrell e Beck levaram 3 dos 83 que foram distribuídos (mais um do que em 2014). O grande show da música foi transmitido pela CBS e o rapper LL Cool foi novamente o anfitrião pela quarta vez consecutiva.

Depois de um longo dia de passadeira vermelha, no palco reuniram-se algumas das lendas ainda vivas da música e da performance, ao longo de quase quatro horas de emissão. Deixo-vos os nomes dos performers e respetivas performances.

E, obviamente, também a lista dos nomeados e vencedores de cada categorias.

Madonna no Grammy 2015 (Foto: John Shearer/AP)
Madonna (Foto: John Shearer/AP)

PERFORMERS & PERFORMANCES
AC/DC ("Rock or Bust", "Highway to Hell"), Ariana Grande ("Just a Little Bit of Your Heart"), Tom Jones, Jessie J ("You've Lost That Lovin' Feelin'"), Miranda Lambert ("Little Red Wagon"), Kanye West ("Only One"), Madonna ("Living for Love"), Ed Sheeran ("Thinking Out Loud"), Electric Light Orchestra ("Evil Woman", "Mr. Blue Sky"), Adam Levine e Gwen Stefani ("My Heart Is Open"), Hozier e Annie Lennox ("Take Me to Church", "I Put a Spell on You"), Pharrell Williams ("Happy"), Katy Perry ("By the Grace of God"), Tony Bennett e Lady Gaga ("Cheek to Cheek"), Usher ("If It's Magic"), Eric Church ("Give Me Back My Hometown"), Brandy Clark e Dwight Yoakam ("Hold My Hand"), Rihanna, Kanye West e Paul McCartney ("FourFiveSeconds"), Sam Smith e Mary J. Blige ("Stay with Me"), Juanes ("Juntos (Together)"), Sia ("Chandelier"), Beck e Chris Martin ("Heart is a Drum"), Beyoncé ("Take My Hand, Precious Lord"), John Legend e Common ("Glory").

[Para veres alguma das melhores atuações clica aqui]



NOMEADOS E VENCEDORES
Sam Smith recebe o prémio de Gravação do ano, 
em Los Angeles (Foto: Lucy Nicholson/Reuters)

Álbum do Ano
Beck, Morning Phase -- VENCEDOR
Beyonce, Beyonce
Ed Sheeran, x
Sam Smith, In the Lonely Hour
Pharrell Williams, Girl

Melhor Novo Artista
Bastille
Iggy Azalea
Brandy Clark
Haim
Sam Smith -- VENCEDOR

Melhor Performance R&B
"Drunk In Love," Beyoncé ft. Jay Z -- VENCEDOR
"New Flame," Chris Brown ft. Usher & Rick Ross
"It's Your World," Jennifer Hudson ft. R. Kelly
"Like This," Ledisi
"Good Kisser," Usher

Melhor Álbum Rock
Ryan Adams, Ryan Adams
Morning Phase, Beck -- VENCEDOR
Turn Blue, The Black Keys
Hypnotic Eye, Tom Petty & the Heartbreakers
Songs of Innocence, U2

Melhor Performance Pop a Solo
"All of Me," John Legend
"Chandelier," Sia
"Stay With Me," Sam Smith
"Shake It Off," Taylor Swift
"Happy," Pharrell Williams -- VENCEDOR

Melhor Álbum Country
Riser, Dierks Bentley
The Outsiders, Eric Church
The Way I'm Livin', Lee Ann Womack
12 Stories, Brandy Clark
Platinum, Miranda Lambert -- VENCEDOR

Melhor Álbum Pop Vocal
Ghost Stories, Coldplay
Bangerz, Miley Cyrus
My Everything, Ariana Grande
Prism, Katy Perry
x, Ed Sheeran
In the Lonely Hour, Sam Smith -- VENCEDOR

Gravação do Ano 
"Fancy," Iggy Azalea ft. Charli XCX
"Chandelier," Sia
"Stay With Me (Darkchild Version)," Sam Smith -- VENCEDOR
"Shake It Off," Taylor Swift
"All About That Bass," Meghan Trainor

Canção do Ano 
"Chandelier," Sia
"All About That Bass," Meghan Trainor
"Shake It Off," Taylor Swift
"Stay With Me (Darkchild Version)," Sam Smith -- VENCEDOR
"Take Me to Church," Hozier

Melhor Álbum Rap
The New Classic, Iggy Azalea
Because the Internet, Childish Gambino
Nobody's Smiling, Common
The Marshall Mathers LP2, Eminem -- VENCEDOR
Oxymoron, ScHoolboy Q
Blacc Hollywood, Wiz Khalifa

Melhor Performance de um Duo/Grupo Pop
"Fancy," Iggy Azalea ft. Charli XCX
"A Sky Full of Stars," Coldplay
"Say Something," A Great Big World ft. Christina Aguilera -- VENCEDOR
"Bang Bang," Ariana Grande, Jessie J & Nicki Minaj
"Dark Horse," Katy Perry ft. Juicy J

Melhor Performance Rap
"3005," Childish Gambino
"0 to 100/The Catch Up," Drake
"Rap God," Eminem
"i," Kendrick Lamar -- VENCEDOR
"All I Need Is You," Lecrae

Melhor Álbum de Música Alternativa 
This Is All Yours, alt-J
Reflektor, Arcade Fire
Melophobia, Cage the Elephant
St. Vincent, St. Vincent -- VENCEDOR
Lazaretto, Jack White

Melhor Canção Rock 
"Ain't It Fun," Paramore -- VENCEDOR
"Blue Moon," Beck
"Fever," The Black Keys
"Gimme Something Good," Ryan Adams
"Lazaretto," Jack White

Melhor Colaboração Rap/Sung
"Blak Majik," Common ft. Jhené Aiko
"The Monster," Eminem ft. Rihanna -- VENCEDOR
"Tuesday," I Love Makonnen ft. Drake
"Studio," ScHoolboy Q ft. BJ The Chicago Kid
"Bound 2," Kanye West & Charlie Wilson

Melhor Canção Rap 
"Anaconda," Nicki Minaj
"Bound 2," Kanye West & Charlie Wilson
"i," Kendrick Lamar -- VENCEDOR
"We Dem Boyz," Wiz Khalifa
"0 to 100/The Catch Up," Drake

Melhor Canção Country 
"American Kids," Kenny Chesney
"Automatic," Miranda Lambert
"Give Me Back My Hometown," Eric Church
"I'm Not Gonna Miss You," Glen Campbell -- VENCEDOR
"Meanwhile Back at Mama's," Tim McGraw ft. Faith Hill

Melhor Performance de um Duo/Grupo Country 
"Gentle On My Mind," The Band Perry -- VENCEDOR
"Somethin' Bad," Miranda Lambert with Carrie Underwood
"Day Drinking," Little Big Town
"Meanwhile Back At Mama's," Tim McGraw ft. Faith Hill
"Raise 'Em Up," Keith Urban ft. Eric Church

Melhor Performance Country a Solo
"Give Me Me Back My Hometown," Eric Church
"Invisible," Hunter Hayes
"Automatic," Miranda Lambert
"Something In the Water," Carrie Underwood -- VENCEDOR
"Cop Car," Keith Urban

Melhor Álbum de Contemporânea Urbana
Sail Out, Jhene Aiko
Beyonce, Beyonce
X, Chris Brown
Mali Is, Mali Music
G I R L, Pharrell Williams -- VENCEDOR

Melhor Álbum de Dança/Eletrónica
Syro, Aphex Twin -- VENCEDOR
While (1, Deadmaus
Nabuma Rubberband, Little Dragon
Do It Again, Röyksopp & Robyn
Damage Control, Mat Zo

Melhor Gravação de Dança
"Never Say Never," Basement Jaxx
"Rather Be," Clean Bandit ft. Jess Glynne -- VENCEDOR
"F for You," Disclosure ft. Mary J. Blige
"I Got U," Duke Dumont ft. Jax Jones
"Faded," Zhu

Melhor Álbum de Pop Latina
Tangos, Ruben Blades  -- VENCEDOR
Elypse, Camila
Raiz, Lila Downs, Niña Pastori & Soledad Pastorutti
Loco de Amor, Juanes
Gracias Por Estar Aqui, Marco Antonio Solis

Melhor Compilação de Trilha Sonora para os Media Visuais
American Hustle
Guardians of the Galaxy
Frozen -- VENCEDOR
Get On Up: The James Brown Story
The Wolf of Wall Street

Melhor Vídeo de Música
"We Exist," Arcade Fire
"Turn Down for What," DJ Snake & Lil Jon
"Chandelier," Sia
"Happy," Pharrell Williams -- VENCEDOR
"The Golden Age," Woodkid ft. Max Richter

Melhor Filme Musical
Beyoncé & Jay Z: On The Run Tour, Beyoncé & Jay Z
Ghost Stories, Coldplay
20 Feet From Stardom, Darlene Love, Merry Clayton, Lisa Fischer & Judith Hill -- VENCEDOR
Metallica: Through The Never, Metallica
The Truth About Love Tour: Live From Melbourne, Pink

Melhor Álgum Reggae
Fly Rasta, Ziggy Marley -- VENCEDOR
Back on the Controls, Lee "Scratch" Perry
Full Frequency, Sean Paul
Out of Many, One Music, Shaggy,
The Reggae Power, Sly & Robbie & Spicy Chocolate,
Amid the Noise and the Haste, Soja

Melhor Álbum de Pop Vocal Tradicional
Cheek to Cheek, Lady Gaga & Tony Bennett -- VENCEDOR 
Sending You a Little Christmas, Johnny Mathis
Nostalgia, Annie Lennox
Partners, Barbra Streisand
Night Songs, Barry Manilow

Melhor Álbum Americana
The River & The Thread, Rosanne Cash -- VENCEDOR
Terms of My Surrener, John Hiatt
Bluesamericana, Keb' Mo'
A Dotted Line, Nickel Creek
Metamodern Sounds in Country Music, Sturgill Simpson

Melhor álbum de Paravra Falada
Actors Anonymous, James Franco
A Call to Action, Jimmy Carter
Carsick: John Waters Hitchhikes Across America, John Waters
A Fighting Chance, Elizabeth Warren
Diary of a Mad Diva, Joan Rivers -- VENCEDOR
We Will Survive: True Stories of Encouragement, Inspiration and the Power of Song, Gloria Gaynor

Melhor Álbum Gospel
Help, Erica Campbell -- VENCEDOR
Amazing, Ricky Dillard & New G
Withholding Nothing: Live, William McDowell
Forever Yours, Smokie Norful
Vintage Worship, Anita Wilson

Melhor Performance Rock
"Gimme Something Good," Ryan Adams
"Do I Wanna Know?", Arctic Monkeys
"Blue Moon," Beck
"Fever," The Black Keys
"Lazaretto," Jack White -- VENCEDOR

Melhor Performance Metal
"Neon Knights," Anthrax
"High Road," Mastodon
"Heartbreaker," Motörhead
"The Negative One," Slipknot
"The Last In Line," Tenacious D -- VENCEDOR

Melhor Canção R&B
"Drunk In Love," Beyonce ft. Jay Z -- VENCEDOR
"Good Kisser," Usher
"New Flame," Chris Brown ft. Usher & Rick Ross
"Options (Wolfjames Version)," Luke James ft. Rick Ross
"The Worst," Jhené Aiko

Melhor Álbum R&B
Islander, Bernhoft
Lift Your Spirit, Aloe Blacc
Love, Marriage & Divorce, Toni Braxton & Babyface  -- VENCEDOR
Black Radio 2, Robert Glasper Experiment
Give The People What They Want, Sharon Jones & The Dap-Kings


Beyoncé no Grammy 2015 (Foto: John Shearer/AP)
Beyoncé (Foto: John Shearer/AP)
Chris Martin e Beck cantam no Grammy  (Foto: John Shearer/AP)
Chris Martin e Beck  (Foto: John Shearer/AP)

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Lady Gaga e Tony Bennet no Grammy (Foto: Lucy Nicholson/Reuters)
Lady Gaga e Tony Bennet no Grammy (Foto: Lucy Nicholson/Reuters)
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Gwen Stefani com Adam Levigne no Grammy 2015 (Foto: Lucy Nicholson/Reuters)
Gwen Stefani com Adam Levigne (Foto: Lucy Nicholson/Reuters)
Angus Young, do AC/DC, no Grammy 2015 (Foto: John Sheare/AP)
Angus Young, do AC/DC (Foto: John Sheare/AP)
Ed Sheeran no Grammy 2015 (Foto: AP)
Ed Sheeran (Foto: AP) 
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Katy Perry no Grammy 2015 (Foto: Lucy Nicholson/Reuters)
Katy Perry (Foto: Lucy Nicholson/Reuters)


domingo, 8 de fevereiro de 2015

A primeira peça de street art de UV do mundo - o mural da Alice no país das maravilhas


Quando a Alice sai do 'buraco' da imaginação maravilhosa de Lewis Carrol para o nosso mundo, para o exterior, para os murais que suportam a arte de rua (street art). Ideias que à noite se iluminam, como as mentes criativas que teimam (e bem) povoar e iluminar as nossas vidas.
Alice In Wonderland Mural 
Irony eFrank Styles paint, South Shields, UK (Reino Unido)
[Via www.artpeople.net]

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

A arte da dança em câmera lenta de David Michalek


Lenta, lentamente. Como se tivéssemos todo o tempo do mundo. Nem se trata de parar o tempo, mas de tentar controlar o seu frenético ritmo. Assim se conseguem ver coisas impossíveis na velocidade normal. E apreciar a sua beleza e dos movimentos, que se sucedem como se fossem fotografias que não querem passar...
"Slow dancing é uma série de vídeos em slow motion que capturam, com uma câmara de alta velocidade, bailarinos na sua arte. Cada bailarino é filmado durante 5 segundos com 1.000 imagens por segundo, o que nos deixa  com um filme de 10 minutos de movimento lento. O extremo slow motion permite que o espetador  consiga ver detalhes que normalmente não conseguiriam ver."
Trata-se de uma obra do americano David Michalek, fascinado pelo movimento dos corpos.


(Caso não consigas visualizar o vídeo, clica aqui)
"Sadler Wells orgulha-se de apresentar a magnífica instalação de imagem em movimento, Slow Dancing, do artista David Michalek, que será mostrada como parte do T-Mobile Big Dance em Trafalgar Square e na  Village Underground em Shoreditch."
www.davidmichalek.net
[via www.happy-pixels.com]

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

O coro numa tragédia de Shakespeare


Chama-se Romeu...
«Sonhei que a minha esposa veio ter comigo e me encontrou morto; [...] depois, com os seus beijos, ela insuflou-me a vida através dos lábios [...]” - Romeu, “Romeu e Julieta”, acto V, cena I
A primeira frase desta minha mensagem, só por si, pode ser o motivo para a leitura de uma obra apaixonante. No auge do período de obras de comédia, William Shakespeare (1564-1616) estreia com grande sucesso a peça “Romeu e Julieta” (1594-1595), a primeira das suas tragédias, a partir de uma história contada por Arthur Brooke.

É interessante reparar como Shakespeare, tantos séculos mais tarde depois das primeiras tragédias, insere, com o mesmo propósito, na acção desta peça o elemento coro, que, embora não seja estranho à acção, participa nela. O coro cantava, dançava e embora se mantivesse à parte da acção, interagia com os actores. Através dele a acção pode tocar o espectador.

Em “Romeu e Julieta” o coro “abre” mesmo a tragédia, num prólogo que “anuncia” a desventura e o terrível desfecho do drama amoroso no qual somos (leitores ou espectadores da peça) “mergulhados”. Novamente interfere na cena em que Julieta conhece o nome daquele que a beijou na festa dos Capuleto (cena V do acto I), relembrando o final que todos conhecemos (mesmo quem não leu ou viu a história, no teatro ou no cinema) reforçando o amor impossível que ambos sentem.

O emocionante enredo e a sua espantosa actualidade serão apenas dois dos ingredientes que fazem desta história intemporal a minha escolha e que aconselho vivamente. E porque é que eu, de tempos a tempos, volto a ler este ou outro clássico? Talvez porque, tal como eu, essas histórias tenham também evoluído no tempo, ou porque “nunca acabaram de dizer o que têm para dizer” (Calvino).

Romeo and Juliet, David Wilcox
«Deste modo passou para os meus lábios o pecado dos vossos.» - Julieta a Romeu, acto I, cena V
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CALVINO, Italo – Porquê ler os clássicos (Teorema, 1993);
SHAKESPEARE, William - Romeu e Julieta (Grandes Clássicos da Literatura Estrangeira, Editora Planeta Agostini, 2003);

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Texto dramático e(m) espetáculo teatral (Ensaio)


O conceito de arquitextualidade não é (nem deve ser) entendido como um juízo de valor acerca de determinado texto ou obra. Quer isto dizer que, muito embora sirva à classificação literária, e com esta, a fácil contextualização do género a que se refere,  o assunto sobre as categorias arquitextuais não deve ser encarado como um “sentido único” e “obrigatório”.

Esta minha primeira reflexão serve apenas para introduzir uma temática que me é muito querida e fascinante desde há uns anos: o teatro. No entanto, o estudo desenvolvido sobre a mesma, enriqueceu a minha visão relativamente à forma como os modos da literatura podem ser encarados, nomeadamente o drama.
Como Carlos Reis nos apresenta, o modo dramático forma, juntamente com o narrativo e o lírico, uma tríade «fundamental da produção discursiva literária» (2008:243). À partida, qualquer texto será classificado sobre um destes modos, e, “abaixo” destes, outros géneros “derivados” que, embora não “dominem” o assunto, são «qualidades essenciais» que estão, de alguma forma presentes, como Roman Ingarden terá afirmado  (Reis, 2008: p.245).

O drama (como conjunto de textos que pertencem ao modo dramático) é mais do que um texto literário (como o narrativo e o lírico), sendo vasto o estudo dos diversos campos que lhe são inerentes. Ingarden, em 1930, organizou as modalidades do texto dramático, as réplicas (as falas das personagens – ou discurso dramático) e as didascálias (as indicações cénicas num texto), em texto primário e secundário, respectivamente. Ao público chegará o desenrolar dos acontecimentos – a acção – através o texto primário. O secundário “diluir-se-á” na interpretação cénica.
Quando o texto dramático é representado, “transforma-se” em espectáculo teatral. Enquanto não for levada à cena, a peça de teatro não “é” teatro, porque lhe faltará o texto cénico. 
Por sua vez, a autoria da peça não é, necessariamente, a mesma do texto literário (Solmer:82) e, por outro lado, o texto dramático é “apenas” parte do processo de construção do espectáculo teatral (idem: p.86).
Sobre este modo de espectáculo, não posso deixar de parafrasear Martins Esslin que, na sua obra “An Anatomy of Drama”, brilhantemente nos apresenta o instinto de representação como «uma das actividades humanas básicas, essencial para a sobrevivência do indivíduo e para a das espécies» (Reis, 2008: p.267). A actividade humana de que nos fala Esslin, é a acção (palavra que etimologicamente deriva de drama) que revemos nas personagens que teatrealizam o dia-a-dia de todos nós.

Quando Carlos Reis afirma, relativamente ao modo dramático, que o «drama solicita [...] uma actualização processada através do espectáculo teatral» (2008:266), considerando ser um aspecto muito importante deste modo, quer dizer que é necessária a sua transposição ou concretização, através da performance dos actores e de todos os intervenientes no espectáculo de teatro. Essa “necessidade” é uma das diferenças entre o texto dramático e o narrativo (a par da ausência de narrador, no caso do primeiro) e, como deixa claro Maria Helena Serôdio (na sua elucidativa definição de drama), sem essa transposição cénica, pode mesmo dizer-se que o modo dramático fica “menorizado” ou incompleto. Afinal, a palavra “teatro” deriva exactamente do vocábulo théatron, que em grego designa o “local onde se vê” uma determinada acção ou acontecimento. Esse espaço é onde o texto dramático será transposto, “transformando”, de certa forma, os elementos pré-existentes que o caracterizam (embora provisoriamente) como obra literária, numa representação do texto teatral perante um público.

Pode então, em sequência dessa transposição, afirmar-se que o texto teatral liberta-se do carácter literário, uma vez que “abandonou” o texto “primordial” (o dramático) que lhe deu origem? Segundo Solmer, «a partir do momento em que um espectáculo nasce e é criado por um autor, o texto pode tornar-se impublicável como objecto literário porque não existe um material que faça sentido “ler” fora do espectáculo» (Solmer:87).
«No teatro o autor desaparece atrás do mundo que criou.» - Ricardo Sérgio 
Imagem : http://interiordesignable.com/
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REFERÊNCIAS E CONSULTAS BIBLIOGRÁFICAS

CEIA, Carlos – “E-Dicionário de Termos Literários”, Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, (s.d.), in http://www2.fcsh.unl.pt/edtl/ (consulta em 17/12/2009);
REIS, Carlos; LOPES, Ana Cristina M. – “Dicionário De Narratologia” – (Almedina, 1990);
REIS, Carlos – “O Conhecimento da Literatura - Introdução Aos Estudos Literários” (Almedina, 2008); 
SOLMER, Antonino – Manual de Teatro (Cadernos ContraCena, Edição Instituto Português de Artes do Espectáculo, 1999);
TEIXEIRA, Maria Ascensão e BETTENCOURT,  Maria Assunção - Língua Portuguesa (Texto Editores, 2004), in www.educacao.te.pt/;