sábado, 14 de fevereiro de 2015

Tudo o que precisamos (está aqui), de Mão Beijada


A arte do beijo ou o beijo nas artes

Este post devia começar com o acompanhamento do início da Marselhesa, o hino nacional francês. Só precisamos de imaginação. E de Amor, como nos diz a canção que John Lennon (e Paul McCartney?) escreveu na década de sessenta do século passado, All You Need Is Love (numa tradução literal, Tudo o que tu precisas é de Amor). A primeira vez que os Beatles a tocaram ao vivo foi na televisão, no programa Our World, a 25 de junho de 1967, e foi visto por 400 milhões de pessoas em 25 países. Também esta música começa com a introdução da Marselhesa, que lhe dá o ritmo para uma marcha que iria durar muitas décadas e marcar a própria palavra Amor.
Capa dos disco All You Need Is Love,The Beatlesm Apple Corps, Ltd.

Inspirou, com certeza, muitas outras músicas e muitas mais pessoas. Assim é o poder da música, sobretudo quando aliado a esse grande sentimento, que por sua vez inspira, se não todos, a maior parte dos seres humanos do nosso planeta e todo o Mundo da Arte. Da música à pintura ou à escultura, do cinema ao vídeo, da arquitetura ao design, ele está em todo o lado, como relembraram os Wet Wet Wet em 1994 noutra, que se tornou também um hino ao Amor nesse meado de década (e nos anos que se seguiram), com Love Is All Around, (O Amor está em todo o lado) : dos dedos das mãos aos dedos dos pés, num sentimento que vai crescendo, crescendo, como um elástico que nunca rebenta :
«I feel it in my fingers / I feel it in my toes
Love is all around me / And so the feeling grows
It's written on the wind / It's everywhere I go
So if you really love me / Come on and let it show
You know I love you, I always will / My mind's made up by the way that I feel / There's no beginning, there'll be no end / 'Cause on my love you can depend»
Abstract kissVeronica Jackson

Muita gente depende do Amor. E quando falamos em Amor, falamos num sentimento que não tem barreiras de comunicação, de opções e aptências sexuais, de género, de raça ou etnia, de cores de pele, de cabelo, de olhos. É abstrato. Daí a facilidade com que ele se expande e reproduz, ainda que alcançá-lo seja uma tarefa difícil, mas sempre recompensadora. A sua busca também pode ser feita por um caminho cheio desse sentimento.
É comum dizer-se que Amor há só um, mas eu acredito - e estou convencido - de que há muitos tipos de Amor e, por isso, se pode amar muitas pessoas. Logo, não há só um nem dois (como cantava João Simão da Silva, mais conhecido por Marco Paulo). Há o Amor dos Amantes, o Amor dos Pais, dos Filhos, da Família, dos Amigos. Deixo de fora o amor pelas coisas, um tipo de amor minúsculo na intenção, que prolifera como uma erva daninha e não faz jus a 'outro' tipo de Amor, com letra grande e sentimentos gigantes.

Les Amants (1928), Rene Magritte (1898-1967), 
pintura surrealista a óleo, no género simbólico, 54 x 73.4 cm
Gallery: Museum of Modern Art, New York, USA

Que melhor maneira do que celebrar a Vida e o Amor, senão com um beijo? Um, ou muitos. Beijar é uma Arte milenar que não compromete ninguém e ninguém deve ser obrigado a dá-los. Muito menos a não recebê-los. Por isso nunca se retraiam nem contraiam na sua distribuição gratuita. A canção escrita pelo Carlos Paião e celebrada por um dos melhores humoristas de sempre do nosso país, o excelentíssimo grande senhor Herman José, é um gracioso exemplo do beijo como tema, numa música portuguesa :
«- Oh chega cá...
- Não vou.
- Tu és tão linda...
- Pois sou.
- Dá-me um beijinho...
- Não dou.
- Dás ou não dás?
- Não e não.
- Então dou eu...
- Oh! isso não.
- Dá-me um beijinho...
- Não dou não.
Ora dá cá um e a seguir dá outro, / Depois dá mais um que só dois é pouco / Ai eu gosto tanto e é tão docinho / E no entretanto dá mais um beijinho
- Então dá lá...
- Já disse.
- Eu faço força...
- Que parvoíce.
- Dá-me um beijinho...
- Oh que chatice.» -
Canção do Beijinho
Ela armava-se em púdica, mas não acredito que ela não quisesse mesmo um. Estava a ser teimosa ou simplesmente tímida. "Deslarga-me da mão", apetece dizer.

Kiss II (1962), Roy Lichtenstein (1923-1997), pintura Pop art,
44,8 cm × 172,7 cm, Location: Private collection

Até a ciência o tenta compreender, desde a sua origem até à sua química e efeitos nas células e nos nossos neurónios, procurando a resposta a esse efeito misterioso. No século XVII já Jonathan Swift dizia, em jeito satírico, que
«foi tolo o primeiro que inventou o beijo.»
A cientista Helen Fisher, uma antropóloga de New Jersey (EUA) disse uma vez que os humanos desenvolveram três sistemas principais no cérebro para acasalar ou se reproduzir, e que o beijo ajuda-nos a escolher o melhor parceiro para procriação :
«o ato de beijar apareceu para estimular esses circuitos cerebrais de uma maneira única. Pode ter evoluído como uma estratégia biológica de ação rápida para avaliar o companheiro. Os homens gostam de beijos mais húmidos, com bocas mais abertas e mais movimento da língua. A hipótese é que eles estão a tentar inserir pequenas quantidades de estrogénio para ver em que estado está a mulher no seu ciclo menstrual para indicar o estado de sua fertilidade.»
Podem ler o artigo completo no The Guardian online.
O Beijo (The Kiss) (1907–1908), Gustav Klimt, pintura, 1,80 m x 1,80 m
 Österreichische Galerie Belvedere, Secessão de Viena, Art nouveau

O Beijo de Amor de que quero falar é aquele que celebra a Vida. Um sem o outro não co-existem.
«Where there is love there is life.» - Mahatma Gandhi 
(Onde há amor há vida.)
Eu prefiro olhar para o Beijo como um ato mais romântico ou simplesmente carnal, mesmo estando consciente do poder biológico. Muitas vezes é preferível a insconsciência pura (desde que esta não magoe ninguém). É preferível atiramo-nos de cabeça, sem pensar muito nisso. E mergulhar :
«You are the port of my call / You shot and leavin' me raw / Now I know you're amazing / 'Cause all I need / Is the love you breathe / put your lips on me and / I can live underwater, / underwater, underwater!
With your love I can breathe /
I can breathe underwater» - Mika
Só quem mergulha num beijo bem dado é que sabe. E o Mika, que cantou a música Underwater, sabe que ele pode ser a nossa botija de oxigénio. É a origem do Amor! (The Origin of Love é também o nome do álbum onde incluiu o referido tema, escrito em conjunto com Littlemore e Paul Steel).

The birthday kiss (1925), Artist: Marc Chagall (1887-1985), pintura

Há o beijo à francesa, o beijo xoxo, o que se dá na cama e o que se dá em qualquer lugar. O beijo mitológico e o bíblico, o do Cupido e o de Judas, o real e o fictício, ou apenas demasiado seco. Eu, sem vos querer chatear mais com esse ato que pode ser muito molhado, aqui vos deixo uma série deles. Estou certo que há muitos mais. Afinal, o Amor está aqui e em quase todo o lado. Quase. Onde não esteja, vamos fazer por isso. Porque o Amor eleva-nos. E a Arte também. Tal como o Amor, ela assume muitas e variadas formas : pedra tornada escultura, tela pintada de e com paixão, momento capturado numa lente, em 8mm ou 8 megabites, metal cortante ou madeira aconchegante, música mais apaixonante ou em ritmo relaxante. Até de bocados de nada, de lixo que mais ninguém quer, se consegue mostrar o que um Beijo quer dizer. Quer sejam cinematográficos ou suavemente discretos, podem ser muito diferentes mas dizem o mesmo : que o Beijo é assim e assado. Mas é preferível um pouco molhado!

The Kiss (2010), Vik Muniz, fotografia com técnica mista

The Kiss in Times Square (1945), Alfred Eisenstaedt, fotografia

The kiss (1892-93), Toulouse Lautrec (1864-1901), 
pintura pós-impressionista, sobre cartão, 39 x 58 cm, Coleção privada

The kiss (1931), Pablo Picasso (1881-1973)
  
The Judas Kiss (2008), Mark Satchwill, aguarela e guache

Beijo (Sayeva), Kuba Wojewoda, fotografia
[http://kubawojewoda.deviantart.com]


A bailarina II (1925), Joan Miró (1893-1983), pintura
Fundación Joan Miró en Barcelona

Psyche Revived by Cupid's Kiss (1787-1793; 1800-1803), 
Antonio Canova, mármore, 155 cm × 168 cm, 
Louvre, Paris; Hermitage Museum, Saint Petersburg


O Beijo (Le Baiser) (1901-4), Auguste Rodin (1840 1917) 
mármore, 1,80 m x 1,2 m x 1,5 m, 3.180 kg, Tate Museum

Rocking Chair for Two, design de mobiliário

 Tsang Cheung Shing, Hong Kong, escultura

 Diogo Lopes diz... “O quanto eu gostaria de estar na tua pele”,
poesia interpretada em vídeo
[se não consegues ver o vídeo clica aqui]

Homem de Papel (Paperman), curta animada 
[se não consegues ver o vídeo clica aqui]

Underwater, Mika, 2012,
Casablanca Music, 
vídeo de música
[se não consegues ver o vídeo clica aqui]

Just Give Me A ReasonP!nk ft. Nate Ruess2012
RCA Records, 
vídeo de música
[se não consegues ver o vídeo clica aqui]

Best Kisses in Movies, compilação em vídeo (7 minutos)
[se não consegues ver o vídeo clica aqui]
Features 
O V for Vendetta O Amelie O Spiderman O Wall-e O Atonement O A/R Andata+ritorno O My blueberry nights O 500 days of Summer  Romeo+Juliet O Titanic O Forrest Gump O The terminal O Pirates of the Caribbean O When Harry met Sally O Notting Hill O Four weddings and a funeral O Some like it hot O Moulin Rouge O Spiderman O Kick Ass O Watchmen O X-men O Colombiana O Jerry Maguire O Zombieland O Adventureland O Elizabethtown O Colombiana O Harry Potter O Bram Stoker's Dracula
O The Lord of the Rings O Star Wars O Jennifer's Body O Cruel Intentions O Vicky Cristina Barcelona O Black Swan O Girl, interrupted / Wild Things O Brokeback Mountain O In&Out O The Godfather O Shakespeare in love
O Big Fish O Gone with the wind O Twilight O Jeux d'enfants O Serendipity O Love actually O Stranger than fiction O The recruit O The Island O Match Point O The Graduated O 500 days of Summer O Love and other drugs O Roger Dodger O Adventureland O Fever Pitch O Black Swan O Rain man O Top Gun O When Harry met Sally O Bridget Jones O Shallow Hal O Lady and the tramp O Lion King O Snow White and the Seven Dwarfs O Simpsons O Hercules O Nightmare before Christmas O Ghost O Army of Darkness O The Goonies O A Kinght's Tale O Along Came Polly O A beautiful mind O An Officier and a gentleman O The postman O The Crow O The Mask O Non ci resta che piangere O Frankie & Johnny O Sin City  O Matrix  O  Back to the future O American Beauty O Indiana Jones O Cheri? O Cashback O Slumdog millionaire O Garden State O Lost in translation O Excess baggage

Love Is All AroundWet Wet Wet,1994
Mercury Records Limited, 
vídeo de música
[se não consegues ver o vídeo clica aqui]

«You gave your promise to me and I gave mine to you
I need someone beside me in everything I do» - Wet, Wet, Wet
«I'm Living for love / Not gonna stop/ 
Love's gonna lift me up» - Madonna

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Meia de leite em movimento - publicidade com amor


Três dias e cerca de mil chávenas de café com leite depois...
- Sai uma animação cheia de criatividade para a mesa dos apaixonados!
A história de amor chama-se Latte Mottion e foi transformada numa apaixonante curta animação em stop-motion criada pela japonesa Ajnimoto General Foods para promover a bebida de leite Maxim Stick. É talvez a primeira animação no mundo com animação artística com leite e tem slogan
Latte warms the world.
(O café leite aquece o mundo)

O mundo não sei. Mas o meu coração ficou mais quentinho, neste dia de vários dias de muito frio.

(Se não conseguires ver o vídeo clica aqui)



quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Artes, mitos e amores metamorfoseiam-se


A arte dos/nos sentimentos
É tão grande e intemporal o fascínio pela obra de Ovídio (Públio Ovídio Nasão, 43 a.C. – 17 d. C.), que o tema clássico da mitologia na sua obra Metamorfoses, após tantos séculos, continua a influenciar ou a inspirar muitas formas de arte, na cultura do Ocidente.
Ovídio foi um confesso «grande amoroso», que «amava todas as mulheres» (casou-se duas vezes, e duas vezes se divorciou, tendo sido a sua terceira mulher o grande amor do seu «coração apaixonado»), como Martin Caret descreve no prefácio ao livro A Arte de Amar (2005:14). Dono de um espírito “inquieto” (como o foi a sua vida, de viagens e atribulações diversas), para Paratore «demonstra a enfatuação mundana que dele se apodera e que jamais se lhe apagará» (Paratore:8). As belas formas e a alma feminina seriam a sua incontornável inspiração para muitos dos episódios dos 15 livros que constituem a obra Metamorfoses, em que o amor é um “aventuroso” protagonista.
«E tu, que só pela morte, oh!, poderias de mim separar-te, nem pela morte te separarás!» - Ovídio, in Livro IV das Metamorfoses, v.153 – Tisbe a Píramo
A história de Píramo tem associada uma história de amor, tema a que se dedicou o autor e que faz parte, como tantas outras, das histórias de amor e aventura da mitologia (Hamilton, 1983:143 ss). O caso do amor proibido (pelos pais) e de desfecho trágico da história (que irei retomar mais à frente) de Píramo e Tisbe, é descrito no Livro IV da obra em estudo, e foi abordado também por William Shakespeare (1564-1616), em Romeu e Julieta (1594-1595).

No amor não correspondido de Apolo (que por culpa de Cupido, e numa espécie de castigo por Apolo ter gozado com ele, o faz apaixonar-se) por Dafne: esta, ao ver-se perseguida pelo deus, e nunca tendo mostrado qualquer interesse no amor ou no casamento (odiava «as tochas nupciais como se fora um crime» - Ovídio, 2006: Livro I, v.484), enquanto ainda corre, já cansada da perseguição, pede em prece socorro a seu pai, Peneu, o deus-rio, que a livre da sua aparência. É, então, transformada num loureiro e quando Apolo se abeira desta, já árvore, ainda consegue sentir o coração de Dafne a bater e abraça-a dizendo-lhe: «Já que não podes ser minha mulher, serás certamente a minha árvore.» (Ovídio: Livro I, v. 557) É também grande o amor da feiticeira Medeia e Jasão, ao ponto de ela ficar ruborizada à simples visão deste. Mas o poder dos seus feitiços é igualmente grandioso e usa-os em seu proveito para atingir os seus, muitas vezes pérfidos, objectivos. (Ovídio: Livro VII)

A magnífica obra Ovídio não mostra apenas o sentimento do amor (incompreendido, difícil, impossível, trágico). Outros sentimentos “mundanos”, não menos trágicos, são experienciados. A ira e o poder dos deuses, verifica-se directamente nas transformações (metamorfoses) que estes provocam nos humanos: animais, aves ou plantas (como já descrevi). Ovídio relata, por exemplo, o desejo de vingança quando a deusa Diana (deusa da caça) transforma o caçador Actéon em veado. Este, que da caça descansava, “nada” terá feito “senão” surpreender, sem querer, a virginal deusa que nua se banhava. Actéon é depois devorado pelos seus próprios cães de caça, criando aqui uma ironia trágica que mostra a complexidade da génese do autor. «Consta que a ira de Diana, a deusa da aljava, só foi saciada pelo finar daquela vida por mil feridas.» (Ovídio: Livro III, v.253).

A arte da intervenção divina
Ovídio teve o “condão”, com a sua «imaginação desenfreada e incontida» (Paratore:8) de corresponder histórias a mitos em que, mesmo sendo irreais e/ou ilógicos, podemos perfeita e naturalmente acreditar. À de Píramo e Tisbe, já introduzida anteriormente, está relacionado, por exemplo, o mito da amoreira: na obra este fruto seria inicialmente branco, mas o sangue salpicado pela terrível morte (suicídio) dos dois amantes terá provocado a mudança de cor para o negro/sangue que as amoras actualmente têm. Maria Helena da Rocha Pereira afirma que «[...] o interesse pelo mito é hoje enorme, [...] pela sua multifacetada aplicação literária (muito explorada nos nossos dias)[...]» (Pereira:298 e ss.), referindo ainda a teoria proposta pelo especialista W. Burkert, segundo o qual «[...] o mito é um conto tradicional aplicado, com referência secundária a algo de importância colectiva [...] não pertence ao reino do inconsciente, mas ao da linguagem». Os fenómenos «são os da vida social, do ritual religioso, do medo dos fenómenos da Natureza, da experiência da doença; e outros problemas gerais da sociedade humana.» (idem:302)

Apesar das personagens serem seres imaginários, situam-se, na narração, no mundo real. Por isso comungam connosco (mortais  leitores) sentimentos que nos são familiares e com elas criamos empatia.

A arte de narrar, transformar e fascinar
Mestre em encadear sucessivamente as cenas descritas em cada mito, estes uns após os outros ou intercalados, Ovídio “inovou” pela apresentação de novos ângulos de visão e mudanças bruscas, uma técnica hábil com a qual, actualmente, estamos familiarizados no cinema, como nos mostra Domingos Lucas na introdução à referida obra (Ovídio:12) ou Ana Paula Rebelo Correia, no seu artigo As Metamorfoses de Ovídio na azulejaria barroca portuguesa. O próprio poema, tal como as suas personagens, também se vai «“transformando”, nuns casos por analogia temática, noutros por contraste». (Alberto:24)

A arte de influenciar, inspirar e eternizar
O texto de Ovídio passa-nos pelos olhos como se de imagens se tratasse, com grande riqueza de detalhe e complexidade. Os seus versos fluem e enchem-nos de emoções várias. Deve ter sido nesta sensação em que muitos artistas, depois dele, se inspiraram para as suas criações. Paulo Farmhouse Alberto afirma mesmo que «nenhuma outra obra da Antiguidade Clássica exerceu maior influência na cultura europeia.» (Alberto:19). Essa influência ficou registada na literatura, na pintura e em outras artes (“veículos” através dos quais os seus autores “narram” a história - ou episódios desta - do seu ponto de vista), sendo flagrante, em algumas delas, uma “imitação” (ou recriação?), sem que isso retire aos seus autores qualquer mérito criativo.

Na literatura temos, por exemplo, Os Lusíadas (1572), do ilustre e nosso tão conhecido poeta Luís Vaz de Camões (c. 1524 – 1580). Como nas Metamorfoses, também n’Os Lusíadas, segundo António José Saraiva, nas palavras de António Afonso Borregana, «os deuses intervêm (..) como autênticas personagens da narrativa, com vida própria». (Borregana: 17), criando uma intriga cuja estrutura cria a unidade da obra. Entre outros, na “viagem/epopeia” de Camões protagonizam Vénus, Cupido, Baco, Ninfas, Zéfiro, Flora, ou Actéon. No canto IX, da “Ilha dos Amores”, o episódio de Actéon e Diana (já referido) é descrito n’“As Ninfas no Banho”, que Ovídio narrara no Livro III das Metamorfoses.

Fig. 1 - Píramo e Tisbe (1520); Niklaus Manuel (1484-1530); 
Basel's Kunstmuseum;

Na pintura temos, por exemplo, as interpretações de alguns episódios das Metamorfoses, pelos pintores Niklaus Manuel (1484-1530), Francesco Albane (1578 – 1660) e Nöel-Nicolas Coypel (1690-1734). Na obra de Niklaus, “Píramo e Tisbe” (Fig. 1), do século XVI (1520), podemos ver que Tisbe, pensando que Píramo está morto, ajusta «[...] a espada debaixo do peito, lançou-se sobre o ferro, tépido ainda da outra morte. [...]» (Ovídio, 2006: Livro IV, v. 163). Em “Diana e Actéon” (Fig.2), uma obra do século seguinte (1625), Albane pinta o momento em que as ninfas tentam tapar a virginal deusa dos olhos de Actéon, que foge, sendo já visível o seu estado de transformação em veado (resultado da fúria desta, apesar da aparente postura cândida) (episódio descrito no Livro III). Já no século XVIII, em 1726-1727, Coypel abordou o tema de “Europa e Júpiter” (Fig.3). O pormenor mostrado nesta figura, mostra Europa montada no touro, que será Júpiter disfarçado, que a terá seduzido e raptado (Livro II – no livro seguinte Agenor, desconhecendo o rapto, manda o seu filho, Cadmo, irmão de Europa, procurá-la).

Fig. 2 - Diana e Actéon (1625); Francesco Albani (1578 – 1660);
Gemäldegalerie,  Dresden -  (Alemanha);

Os exemplos noutras artes (escultura, dança, teatro, cinema, etc) sucedem-se, inúmeros, até hoje.
Mas porque nos fascina e “prende”, ainda hoje, a narração da obra de Ovídio? Será pela empatia pelos seus personagens, os seus amores, desamores e tragédias? Será pelo misticismo ou pela técnica da escrita? Acredito que seja por tudo isto e também por ser um clássico que nos faz comover, deleitar e sonhar.
«Dois poderosos mitos fizeram-nos acreditar que o amor podia, devia sublimar-se em criação estética: o mito socrático (amar serve para criar uma multidão de belos e magníficos discursos) e o mito romântico (produzirei uma obra imortal escrevendo a minha paixão).» - Roland Barthes  
Fig. 3 – Europa e Júpiter (1726-1727);
Nöel-Nicolas Coypel (1690 – 1734)


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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALBERTO, Paulo Farmhouse – “Introdução” à tradução das Metamorfoses de Ovídio (Livros Cotovia, Lisboa, 2007);
BORREGANA, António Afonso – Análise de Os Lusíadas (Edição do Autor, Setúbal, 1989); 
HAMILTON, Edith – A Mitologia (Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1983);
OVÍDIO – As Metamorfoses – Volume 1 (Tradução de Domingos Lucas, Edições Nova Vega, 2006);
OVÍDIO – A Arte de Amar (Tradução de Pietro Nassetti, prefácio de Martin Caret, Editora Martin Caret, São Paulo, 2005, in http://www.scribd.com/doc/7030403/A-Arte-de-Amar-Ovidio);
PARATORE, Ettore – História da Literatura Latina (Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1987);
PEREIRA, Maria helena da Rocha – Estudos de História da Cultura Clássica, I Volume (Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2006);

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Levem-me ao céu - Serfei Polunin, Hozier e David LaChapelle


Quando se junta Sergei Polunin, Hozier e David LaChapelle, casa-se o que de melhor tem a performance através da Dança, com a Música e a Realização (Vídeo).

No vídeo (que podes ver abaixo) Polunin improvisa sobre a música Take Me to Church, de Hozier, e LaChapelle capta o essencial com a sua visão fotográfica. A simplicidade contrasta com outros trabalhos do reconhecido e por vezes polémico fotógrafo. É por aí, e por isso, que este vídeo me eleva. Não me leva à igreja, mas definitivamente faz com que comungue com ele.

(se não conseguires visualizar o vídeo clica aqui)
Sergei Polunin, "Take Me to Church" de Hozier, 
Realizado por David LaChapelle


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Grammys 2015 - um show na música


A 57ª edição dos Prémios Grammy decorreu ontem, dia 8, no Staples Center em Los Angeles. O londrino Sam Smith, de apenas 22 anos e que a revista Billboard definiu como tendo "uma presença vocal magnética", foi o grande vencedor, levando 4 das cobiçadas grafonolas douradas.

Beyoncé, Pharrell e Beck levaram 3 dos 83 que foram distribuídos (mais um do que em 2014). O grande show da música foi transmitido pela CBS e o rapper LL Cool foi novamente o anfitrião pela quarta vez consecutiva.

Depois de um longo dia de passadeira vermelha, no palco reuniram-se algumas das lendas ainda vivas da música e da performance, ao longo de quase quatro horas de emissão. Deixo-vos os nomes dos performers e respetivas performances.

E, obviamente, também a lista dos nomeados e vencedores de cada categorias.

Madonna no Grammy 2015 (Foto: John Shearer/AP)
Madonna (Foto: John Shearer/AP)

PERFORMERS & PERFORMANCES
AC/DC ("Rock or Bust", "Highway to Hell"), Ariana Grande ("Just a Little Bit of Your Heart"), Tom Jones, Jessie J ("You've Lost That Lovin' Feelin'"), Miranda Lambert ("Little Red Wagon"), Kanye West ("Only One"), Madonna ("Living for Love"), Ed Sheeran ("Thinking Out Loud"), Electric Light Orchestra ("Evil Woman", "Mr. Blue Sky"), Adam Levine e Gwen Stefani ("My Heart Is Open"), Hozier e Annie Lennox ("Take Me to Church", "I Put a Spell on You"), Pharrell Williams ("Happy"), Katy Perry ("By the Grace of God"), Tony Bennett e Lady Gaga ("Cheek to Cheek"), Usher ("If It's Magic"), Eric Church ("Give Me Back My Hometown"), Brandy Clark e Dwight Yoakam ("Hold My Hand"), Rihanna, Kanye West e Paul McCartney ("FourFiveSeconds"), Sam Smith e Mary J. Blige ("Stay with Me"), Juanes ("Juntos (Together)"), Sia ("Chandelier"), Beck e Chris Martin ("Heart is a Drum"), Beyoncé ("Take My Hand, Precious Lord"), John Legend e Common ("Glory").

[Para veres alguma das melhores atuações clica aqui]



NOMEADOS E VENCEDORES
Sam Smith recebe o prémio de Gravação do ano, 
em Los Angeles (Foto: Lucy Nicholson/Reuters)

Álbum do Ano
Beck, Morning Phase -- VENCEDOR
Beyonce, Beyonce
Ed Sheeran, x
Sam Smith, In the Lonely Hour
Pharrell Williams, Girl

Melhor Novo Artista
Bastille
Iggy Azalea
Brandy Clark
Haim
Sam Smith -- VENCEDOR

Melhor Performance R&B
"Drunk In Love," Beyoncé ft. Jay Z -- VENCEDOR
"New Flame," Chris Brown ft. Usher & Rick Ross
"It's Your World," Jennifer Hudson ft. R. Kelly
"Like This," Ledisi
"Good Kisser," Usher

Melhor Álbum Rock
Ryan Adams, Ryan Adams
Morning Phase, Beck -- VENCEDOR
Turn Blue, The Black Keys
Hypnotic Eye, Tom Petty & the Heartbreakers
Songs of Innocence, U2

Melhor Performance Pop a Solo
"All of Me," John Legend
"Chandelier," Sia
"Stay With Me," Sam Smith
"Shake It Off," Taylor Swift
"Happy," Pharrell Williams -- VENCEDOR

Melhor Álbum Country
Riser, Dierks Bentley
The Outsiders, Eric Church
The Way I'm Livin', Lee Ann Womack
12 Stories, Brandy Clark
Platinum, Miranda Lambert -- VENCEDOR

Melhor Álbum Pop Vocal
Ghost Stories, Coldplay
Bangerz, Miley Cyrus
My Everything, Ariana Grande
Prism, Katy Perry
x, Ed Sheeran
In the Lonely Hour, Sam Smith -- VENCEDOR

Gravação do Ano 
"Fancy," Iggy Azalea ft. Charli XCX
"Chandelier," Sia
"Stay With Me (Darkchild Version)," Sam Smith -- VENCEDOR
"Shake It Off," Taylor Swift
"All About That Bass," Meghan Trainor

Canção do Ano 
"Chandelier," Sia
"All About That Bass," Meghan Trainor
"Shake It Off," Taylor Swift
"Stay With Me (Darkchild Version)," Sam Smith -- VENCEDOR
"Take Me to Church," Hozier

Melhor Álbum Rap
The New Classic, Iggy Azalea
Because the Internet, Childish Gambino
Nobody's Smiling, Common
The Marshall Mathers LP2, Eminem -- VENCEDOR
Oxymoron, ScHoolboy Q
Blacc Hollywood, Wiz Khalifa

Melhor Performance de um Duo/Grupo Pop
"Fancy," Iggy Azalea ft. Charli XCX
"A Sky Full of Stars," Coldplay
"Say Something," A Great Big World ft. Christina Aguilera -- VENCEDOR
"Bang Bang," Ariana Grande, Jessie J & Nicki Minaj
"Dark Horse," Katy Perry ft. Juicy J

Melhor Performance Rap
"3005," Childish Gambino
"0 to 100/The Catch Up," Drake
"Rap God," Eminem
"i," Kendrick Lamar -- VENCEDOR
"All I Need Is You," Lecrae

Melhor Álbum de Música Alternativa 
This Is All Yours, alt-J
Reflektor, Arcade Fire
Melophobia, Cage the Elephant
St. Vincent, St. Vincent -- VENCEDOR
Lazaretto, Jack White

Melhor Canção Rock 
"Ain't It Fun," Paramore -- VENCEDOR
"Blue Moon," Beck
"Fever," The Black Keys
"Gimme Something Good," Ryan Adams
"Lazaretto," Jack White

Melhor Colaboração Rap/Sung
"Blak Majik," Common ft. Jhené Aiko
"The Monster," Eminem ft. Rihanna -- VENCEDOR
"Tuesday," I Love Makonnen ft. Drake
"Studio," ScHoolboy Q ft. BJ The Chicago Kid
"Bound 2," Kanye West & Charlie Wilson

Melhor Canção Rap 
"Anaconda," Nicki Minaj
"Bound 2," Kanye West & Charlie Wilson
"i," Kendrick Lamar -- VENCEDOR
"We Dem Boyz," Wiz Khalifa
"0 to 100/The Catch Up," Drake

Melhor Canção Country 
"American Kids," Kenny Chesney
"Automatic," Miranda Lambert
"Give Me Back My Hometown," Eric Church
"I'm Not Gonna Miss You," Glen Campbell -- VENCEDOR
"Meanwhile Back at Mama's," Tim McGraw ft. Faith Hill

Melhor Performance de um Duo/Grupo Country 
"Gentle On My Mind," The Band Perry -- VENCEDOR
"Somethin' Bad," Miranda Lambert with Carrie Underwood
"Day Drinking," Little Big Town
"Meanwhile Back At Mama's," Tim McGraw ft. Faith Hill
"Raise 'Em Up," Keith Urban ft. Eric Church

Melhor Performance Country a Solo
"Give Me Me Back My Hometown," Eric Church
"Invisible," Hunter Hayes
"Automatic," Miranda Lambert
"Something In the Water," Carrie Underwood -- VENCEDOR
"Cop Car," Keith Urban

Melhor Álbum de Contemporânea Urbana
Sail Out, Jhene Aiko
Beyonce, Beyonce
X, Chris Brown
Mali Is, Mali Music
G I R L, Pharrell Williams -- VENCEDOR

Melhor Álbum de Dança/Eletrónica
Syro, Aphex Twin -- VENCEDOR
While (1, Deadmaus
Nabuma Rubberband, Little Dragon
Do It Again, Röyksopp & Robyn
Damage Control, Mat Zo

Melhor Gravação de Dança
"Never Say Never," Basement Jaxx
"Rather Be," Clean Bandit ft. Jess Glynne -- VENCEDOR
"F for You," Disclosure ft. Mary J. Blige
"I Got U," Duke Dumont ft. Jax Jones
"Faded," Zhu

Melhor Álbum de Pop Latina
Tangos, Ruben Blades  -- VENCEDOR
Elypse, Camila
Raiz, Lila Downs, Niña Pastori & Soledad Pastorutti
Loco de Amor, Juanes
Gracias Por Estar Aqui, Marco Antonio Solis

Melhor Compilação de Trilha Sonora para os Media Visuais
American Hustle
Guardians of the Galaxy
Frozen -- VENCEDOR
Get On Up: The James Brown Story
The Wolf of Wall Street

Melhor Vídeo de Música
"We Exist," Arcade Fire
"Turn Down for What," DJ Snake & Lil Jon
"Chandelier," Sia
"Happy," Pharrell Williams -- VENCEDOR
"The Golden Age," Woodkid ft. Max Richter

Melhor Filme Musical
Beyoncé & Jay Z: On The Run Tour, Beyoncé & Jay Z
Ghost Stories, Coldplay
20 Feet From Stardom, Darlene Love, Merry Clayton, Lisa Fischer & Judith Hill -- VENCEDOR
Metallica: Through The Never, Metallica
The Truth About Love Tour: Live From Melbourne, Pink

Melhor Álgum Reggae
Fly Rasta, Ziggy Marley -- VENCEDOR
Back on the Controls, Lee "Scratch" Perry
Full Frequency, Sean Paul
Out of Many, One Music, Shaggy,
The Reggae Power, Sly & Robbie & Spicy Chocolate,
Amid the Noise and the Haste, Soja

Melhor Álbum de Pop Vocal Tradicional
Cheek to Cheek, Lady Gaga & Tony Bennett -- VENCEDOR 
Sending You a Little Christmas, Johnny Mathis
Nostalgia, Annie Lennox
Partners, Barbra Streisand
Night Songs, Barry Manilow

Melhor Álbum Americana
The River & The Thread, Rosanne Cash -- VENCEDOR
Terms of My Surrener, John Hiatt
Bluesamericana, Keb' Mo'
A Dotted Line, Nickel Creek
Metamodern Sounds in Country Music, Sturgill Simpson

Melhor álbum de Paravra Falada
Actors Anonymous, James Franco
A Call to Action, Jimmy Carter
Carsick: John Waters Hitchhikes Across America, John Waters
A Fighting Chance, Elizabeth Warren
Diary of a Mad Diva, Joan Rivers -- VENCEDOR
We Will Survive: True Stories of Encouragement, Inspiration and the Power of Song, Gloria Gaynor

Melhor Álbum Gospel
Help, Erica Campbell -- VENCEDOR
Amazing, Ricky Dillard & New G
Withholding Nothing: Live, William McDowell
Forever Yours, Smokie Norful
Vintage Worship, Anita Wilson

Melhor Performance Rock
"Gimme Something Good," Ryan Adams
"Do I Wanna Know?", Arctic Monkeys
"Blue Moon," Beck
"Fever," The Black Keys
"Lazaretto," Jack White -- VENCEDOR

Melhor Performance Metal
"Neon Knights," Anthrax
"High Road," Mastodon
"Heartbreaker," Motörhead
"The Negative One," Slipknot
"The Last In Line," Tenacious D -- VENCEDOR

Melhor Canção R&B
"Drunk In Love," Beyonce ft. Jay Z -- VENCEDOR
"Good Kisser," Usher
"New Flame," Chris Brown ft. Usher & Rick Ross
"Options (Wolfjames Version)," Luke James ft. Rick Ross
"The Worst," Jhené Aiko

Melhor Álbum R&B
Islander, Bernhoft
Lift Your Spirit, Aloe Blacc
Love, Marriage & Divorce, Toni Braxton & Babyface  -- VENCEDOR
Black Radio 2, Robert Glasper Experiment
Give The People What They Want, Sharon Jones & The Dap-Kings


Beyoncé no Grammy 2015 (Foto: John Shearer/AP)
Beyoncé (Foto: John Shearer/AP)
Chris Martin e Beck cantam no Grammy  (Foto: John Shearer/AP)
Chris Martin e Beck  (Foto: John Shearer/AP)

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Lady Gaga e Tony Bennet no Grammy (Foto: Lucy Nicholson/Reuters)
Lady Gaga e Tony Bennet no Grammy (Foto: Lucy Nicholson/Reuters)
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Gwen Stefani com Adam Levigne no Grammy 2015 (Foto: Lucy Nicholson/Reuters)
Gwen Stefani com Adam Levigne (Foto: Lucy Nicholson/Reuters)
Angus Young, do AC/DC, no Grammy 2015 (Foto: John Sheare/AP)
Angus Young, do AC/DC (Foto: John Sheare/AP)
Ed Sheeran no Grammy 2015 (Foto: AP)
Ed Sheeran (Foto: AP) 
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Katy Perry no Grammy 2015 (Foto: Lucy Nicholson/Reuters)
Katy Perry (Foto: Lucy Nicholson/Reuters)


domingo, 8 de fevereiro de 2015

A primeira peça de street art de UV do mundo - o mural da Alice no país das maravilhas


Quando a Alice sai do 'buraco' da imaginação maravilhosa de Lewis Carrol para o nosso mundo, para o exterior, para os murais que suportam a arte de rua (street art). Ideias que à noite se iluminam, como as mentes criativas que teimam (e bem) povoar e iluminar as nossas vidas.
Alice In Wonderland Mural 
Irony eFrank Styles paint, South Shields, UK (Reino Unido)
[Via www.artpeople.net]